Sem-teto condenado à prisão perpétua por vender maconha é solto após 12 anos

'Existem centenas de indivíduos cumprindo penas de prisão perpétua por crimes não violentos na Louisiana', disse Jee Park, advogado do réu

Leah Asmelash, da CNN
19 de dezembro de 2020 às 10:46
Fate Winslow após sair da prisão, na última quarta-feira (17)
Foto: Innocence Project New Orleans/Divulgação

Em 2008, Fate Winslow foi abordado por um policial à paisana à paisana na cidade de Shreveport, Louisiana, EUA, em busca de um pouco de maconha.

Winslow, que havia recentemente se tornado sem-teto, pegou emprestada a bicicleta de um amigo e voltou dez minutos depois com dois pequenos sacos de maconha no valor de US$ 20, de acordo com o Innocence Project New Orleans (IPNO).

O policial o prendeu na hora. Como Winslow tinha três antecedentes – um roubo de uma empresa quando ele tinha 17 anos em 1985, um roubo de carro em 1995 e porte de cocaína quando ele tinha 36 – a venda de US$ 20 levou o homem a receber uma sentença de prisão perpétua, de acordo com o IPNO.

Leia também:
Governo Trump executou mais condenados à morte em 2020 do que soma dos estados
Preso há quase 40 anos, americano é solto depois que testemunha mudou o relato

Na quarta-feira (16), 12 anos após a prisão, ele foi solto depois de ser julgado novamente, recebendo crédito pelo tempo já cumprido.

Em comunicado, o IPNO escreveu que o caso destaca as questões dentro do sistema de justiça criminal norte-americano. “Existem centenas de indivíduos cumprindo penas de prisão perpétua por crimes não violentos na Louisiana”, disse Jee Park, advogado de Winslow e diretor executivo do IPNO.

“Jogar as leis em cima do Sr. Winslow e sentenciá-lo à prisão perpétua apenas porque se podia fazer isso não significa que foi algo constitucional, legal e humano. Ele recebeu uma sentença absurdamente excessiva devido às circunstâncias de sua vida e ao crime, e hoje estamos corrigindo essa sentença inconstitucional e desumana”. 

De acordo com o IPNO, o gabinete do procurador distrital concordou que Winslow não recebeu um advogado eficaz em sua sentença original. A procuradoria aceitou o Pedido de Alívio Pós-condenação proposto pelo IPNO.

A CNN entrou em contato com o Ministério Público da Caddo Parish, mas não obteve resposta.

Com 15 estados e Washington DC legalizando o uso recreativo da maconha, a droga se tornou uma indústria multibilionária nos EUA, embora continue ilegal sob a lei federal.

À medida que os estados legalizam o uso recreativo, mais defensores pedem a eliminação das condenações criminais relacionadas à maconha. Depois de legalizar a cannabis em 2019, por exemplo, o estado Illinois suspendeu registros de crimes relacionados à maconha a cerca de 770 mil residentes, de acordo com o Marijuana Policy Project.

Nova York fez algo semelhante em 2019, embora a maconha recreativa não seja legal no estado. Mais de 150 mil pessoas tiveram suas condenações relacionadas à maconha encerradas no estado depois que o governador Andrew Cuomo sancionou o projeto de lei em julho.

“Meu pai e eu nos aproximamos enquanto ele estava preso”, disse Faith Winslow Canada, filha de Winslow, em um comunicado. “Não vejo a hora de ter meu pai totalmente de volta na minha vida. Doze anos é muito tempo. Tempo demais. Ele merece uma segunda chance e estou muito feliz por conseguir uma”.

(Texto traduzido, leia aqui o original em inglês).