Cobras podem entrar no cardápio da Flórida

Cientistas ainda precisam confirmar se as cobras pítons birmanesas (espécie extremamente invasiva nos pântanos de Everglades) são seguras para o consumo humano

Alaa Elassar, da CNN
20 de dezembro de 2020 às 16:03 | Atualizado 20 de dezembro de 2020 às 16:04
Foto: Arquivo pessoal / Instagram


 

Um predador pode em breve se tornar presa se os cientistas da Flórida puderem confirmar que as cobras pítons birmanesas (uma espécie extremamente invasiva nos pântanos de Everglades) são seguras para o consumo humano.

A Comissão de Conservação de Peixes e Vida Selvagem da Flórida (FWC) está colaborando com o Departamento de Saúde do estado para investigar os níveis de mercúrio em pítons para determinar se elas podem ser ingeridas com segurança. Nesse caso, as cobras podem em breve acabar nos menus dos restaurantes e nas mesas de jantar em todo o estado.

Pítons são constritoras não venenosas encontradas principalmente no sul da Flórida, onde representam um risco sério à vida selvagem nativa. A cobra não é nativa do estado e começou a aparecer nos Everglades na década de 1980, quando provavelmente apareceram depois de serem soltas ou fugirem de casas, onde eram animais de estimação.

O FWC incentiva os residentes a remover e matar pítons sem crueldade quando puderem, em qualquer época do ano, e a relatar quaisquer avistamentos aos funcionários.

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“O processo de estudo do mercúrio está começando. No momento, estamos no estágio de coleta de tecidos e a Covid-19 atrasou um pouco nosso cronograma ", disse a porta-voz da comissão de vida selvagem, Susan Neel, à CNN. “O plano é fazer com que a maioria dessas amostras venha de pítons que são capturadas por nosso programa de terceiros”.

Chamado Programa de Eliminação de Pítons, ele é liderado pela comissão e pelo Distrito de Gerenciamento de Água do Sul da Flórida, que está financiando o novo estudo de mercúrio. Até agora, mais de 6.000 pítons foram removidos dos Everglades por meio do programa. 

O objetivo do estudo é desenvolver e compartilhar “recomendações de consumo para pítons birmaneses no sul da Flórida para informar melhor o público”, disse Neel, com a esperança de que os moradores possam comer pítons em breve para ajudar a controlar suas populações

“O mercúrio é um elemento que ocorre naturalmente no meio ambiente e é abundante nos Everglades”, disse Mike Kirkland, gerente do Programa de Eliminação de Pítons. “O mercúrio se bioacumula no meio ambiente e aparece em altos níveis de mercúrio no topo da cadeia alimentar, onde as pítons infelizmente se posicionaram”.

“Esperamos que os resultados desencorajem o público de consumir pítons, mas se pudermos determinar que elas são seguras para comer, isso seria muito útil para controlar sua população”, explicou.

Carne seca de píton

Quando as pítons são seguras para comer, podem ser deliciosas, diz Donna Kalil.

Kalil é a primeira mulher caçadora no programa de remoção das pítons, de acordo com Kirkland, e já capturou e sacrificou 473 cobras. Quando  pega as menores, de cerca de 2,10 metros de comprimento, usa um kit de teste de mercúrio que comprou online para confirmar que são seguras para comer.

Ela então transforma sua carne branca em comida. Primeiro, usa uma panela de pressão para deixar a carne macia. Mais tarde, adiciona molho de macarrão ou de pimenta ou ainda frita a carne. Ela também gosta de transformar as cobras em carne seca.

“É uma carne muito boa quando se cozinha direito”, opinou Kalil à CNN. "Seria uma maneira maravilhosa de envolver mais pessoas, ajudando-nos a remover as pítons do meio ambiente. Seria bom que as pessoas as caçassem e comessem, mas primeiro precisamos ter certeza de que são seguras".

Kalil passou a infância pegando e soltando cobras para se divertir. Apesar de seu amor pelas pítons, que ela chama de “criaturas magníficas”, ela enfatiza o risco que representam para a vida selvagem da Flórida e os graves danos que já causaram ao seu ecossistema. As pítons grandes podem até comer presas grandes, incluindo humanos.

“Temos um problema grave com elas, que começou quando donos de animais irresponsáveis as soltaram na natureza e elas comeram praticamente todos os mamíferos nativos do Parque Nacional Everglades”, disse Kalil.

“Há literalmente 2 a 3% de coelhos, guaxinins e gambás restantes, então, quando vejo um coelho hoje, pulo de alegria. Simplesmente não há mais nenhum deles por causa das pítons”.

(Texto traduzido, clique aqui para ler o original  em inglês).