O que se sabe sobre a nova variante do coronavírus na África do Sul

A variante parece estar concentrada nas regiões sul e sudeste do país e tem dominado os resultados de amostras coletadas desde outubro, disseram os cientistas

da Reuters
25 de dezembro de 2020 às 12:50 | Atualizado 25 de dezembro de 2020 às 12:51
África do Sul
De acordo com o ministério de Saúde africano, a taxa de propagação do vírus está mais rápida do que a primeira onda
Foto: Marcello Casal/Agência Brasil

A África do Sul identificou uma nova variante do novo coronavírus que as autoridades acreditam estar causando um aumento nas infecções por COVID-19, o que pode sobrecarregar o sistema de saúde.

Diversos países, incluindo a Grã-Bretanha, que encontrou a variante mutante em casos ligados à África do Sul, proibiram voos deste país, interrompendo viagens de férias e frustrando operadoras de turismo.

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O que é a nova variante?

A nova variante, conhecida como 501.V2, foi descoberta por uma rede de cientistas da África do Sul que rastreou a genética do vírus SARS-COV-2.

A variante parece estar concentrada nas regiões sul e sudeste do país e tem dominado os resultados de amostras coletadas desde outubro, disseram os cientistas.

Identificada pela primeira vez na Baía Nelson Mandela, ao longo da costa leste da África do Sul, a variante se espalhou rapidamente para outros distritos do Cabo Oriental e para as províncias de Cabo Ocidental e KwaZulu Natal (KZN).

Os cientistas disseram que a variante é diferente de outras que circulam na África do Sul, pois tem múltiplas mutações em uma proteína "spike" que o vírus usa para infectar células humanas.

Além disso, a variante também tem sido associada a uma maior carga viral, o que significa uma maior concentração de partículas virais no corpo dos pacientes, contribuindo possivelmente para níveis mais elevados de transmissão.

Entre 80% e 90% dos novos casos no país são portadores da variante mutante, segundo autoridades de saúde.

As preocupações se justificam? 

Todos os vírus, incluindo o que causa a COVID-19, mudam ao longo do tempo, e centenas de variações desse vírus foram identificadas em todo o mundo.

Cientistas sul-africanos disseram que não há evidências claras neste momento de que essa variante esteja associada a doenças mais graves ou a piores resultados, embora ela parece se espalhar mais rápido do que as versões anteriores.

"O que aconteceu é que a velocidade de aumento do número de infecções rapidamente sobrecarregou o sistema de saúde", disse o professor Tulio de Oliveira, diretor da Plataforma de Sequenciamento e Inovação em Pesquisa (KRISP, na sigla em inglês), que participou do sequenciamento do genoma da variante mutante da África do Sul. "E, quando isso acontece, temos um pico no aumento da mortalidade".

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A taxa de positividade (a porcentagem de todos os testes de coronavírus realizados que são realmente positivos) era de 26% em 23 de dezembro, cerca do dobro da taxa de infecções em média antes de dezembro, quando o vírus apresentava sinais de declínio.

Na primeira onda de infecções, que atingiu seu pico entre junho e julho, a taxa de positividade chegou a 27%.

"A taxa de disseminação é muito mais rápida do que durante a primeira onda, e vamos ultrapassar o pico da primeira onda nos próximos dias", disse o ministro da Saúde, Zweli Mkhize, na quarta-feira (23).

Qual a diferença da variante do Reino Unido? 

As variantes relatadas pela África do Sul e pelo Reino Unido possuem uma alteração em comum na proteína spike, que pode torná-las mais infecciosas. No entanto, elas são variantes diferentes, e a análise do sequenciamento revelou que elas se originaram em separado, disse a Organização Mundial de Saúde.

"A variante 'sul-africana' é diferente da variante do Reino Unido, mas ambas contêm um número alto e incomum de mutações em comparação com outras linhagens de SARS-CoV-2", disse o Dr. Andrew Preston, especialista em patogênese microbiana na Universidade de Bath.

As vacinas contra a Covid-19 protegerão contra essa variante?

As autoridades sul-africanas disseram que é muito cedo para afirmar se as vacinas atualmente em uso na Grã-Bretanha e nos Estados Unidos, ou se outras vacinas contra a COVID-19 em desenvolvimento, protegerão contra a nova variante.

Os desenvolvedores de vacinas, incluindo a AstraZeneca, a BioNTech e a Moderna, disseram nesta semana que esperam que suas vacinas funcionem contra a variante do Reino Unido. (Reportagem de Mfuneko Toyana; Edição de MacDonald Dzirutwe, Alexandra Zavis e Shri Navaratnam)