Dezembro é o mês com mais mortes nos EUA desde o início da pandemia de Covid-19

Até sábado (26), mais de 63 mil pessoas foram vítimas do novo coronavírus em todo o país – em comparação, todo o mês de novembro registrou 36.964 mortes

Christina Maxouris, da CNN
27 de dezembro de 2020 às 09:12 | Atualizado 27 de dezembro de 2020 às 09:13
Apenas em dezembro mais de 63 mil pessoas já morreram nos EUA infectadas pela Covid-19
Foto: Pixabay

Dezembro é o mês mais mortífero nos Estados Unidos desde o início da pandemia do novo coronavírus, com mais de 63.000 norte-americanos mortos pela Covid-19 em apenas 26 dias. Em comparação, todo o mês de novembro registrou 36.964 mortes.

Esse número de mortos vem na esteira de vários meses brutais da pandemia nos EUA, com a Covid-19 devastando comunidades de costa a costa, incapacitando sistemas hospitalares e causando novas restrições generalizadas. 

A autorização de uso de duas vacinas no início de dezembro ofereceu alguma esperança de uma luz no fim do túnel, mas os especialistas continuam a alertar que a pandemia não acabou e outro aumento decorrente das viagens e reuniões de Natal  pode estar a caminho.

Mais de 616 mil pessoas foram examinadas nos postos de controle dos aeroportos de todo o país apenas no dia de Natal, e centenas de milhares viajaram nos dias que antecederam o feriado. 

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"Os indivíduos que estão viajando provavelmente não vão acampar no deserto. Provavelmente eles vão ver seus entes queridos e jantar sem usar máscaras, em ambientes fechados por longos períodos de tempo", disse a médica Leana Wen à CNN

“Há muitas pessoas que podem estar com Covid-19 e não saber disso e, em seguida, espalhar para seus parentes que, então, voltarão para suas comunidades de origem e infectarão outras pessoas sem saber.”

“O que me preocupa é que esses mesmos indivíduos estarão nos hospitais, nas UTIs dentro de duas a três semanas”, acrescentou Wen. "Eu realmente me preocupo com esse aumento que veremos e com que rapidez vamos superar o número de 400 mil mortes."

Quase 332 mil norte-americanos já morreram de Covid-19. Outros 193 mil podem perder suas vidas nos próximos dois meses, de acordo com as previsões do Instituto de Avaliação e Métricas de Saúde da Universidade de Washington.

"As projeções são um pesadelo", disse Peter Hotez, um especialista em doenças infecciosas do Baylor College of Medicine. "As pessoas ainda podem salvar a vida de seus entes queridos praticando distanciamento social e usando máscaras."

O número de hospitalizações da Covid-19 nos Estados Unidos já atingiu níveis recordes. No sábado (26), o país registrou o quinto maior número de hospitalizações, com mais de 117.300 pacientes Covid-19 em todo o país, de acordo com o Projeto de Rastreamento Covid-19.

Outro surto de casos e hospitalizações irá, inevitavelmente, significar mais mortes.

Efeito da vacinação na pandemia ainda é lento

Quase 2 milhões de doses de vacinas contra a Covid-19 foram administradas nos EUA, de acordo com os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), e mais de 9,5 milhões de doses foram distribuídas.

Esses números incluem as vacinas da Pfizer/BioNTech e da Moderna. E embora haja atrasos nos relatórios de dados, alguns especialistas dizem que a distribuição da vacina não está acontecendo tão rapidamente quanto as autoridades esperavam.

“Parece que (a distribuição da vacina) está se movendo um pouco mais devagar do que o esperado”, disse a Esther Choo, professora de medicina de emergência na Oregon Health & Science University. 

“É uma coisa muito complicada. Em cada etapa, há complexidade e possibilidade de atrasos, seja no planejamento estadual individual, na alocação, treinamento, armazenamento... há tantos fatores nesta fase", completou.

“Precisamos estar preparados para o fato de que será uma implantação lenta em muitos lugares e que não mudará nossos comportamentos ou necessariamente a trajetória da pandemia nos EUA no curto prazo”, disse Choo.

As palavras da especialista ecoam uma série de outros especialistas que alertaram o público norte-americano para não baixar a guarda quando a vacinação começar e continuar seguindo as medidas de saúde pública, incluindo uso de máscaras e distanciamento social, além de evitar multidões e reuniões e lavar as mãos regularmente.

Provavelmente apenas no segundo semestre as vacinas estarão amplamente disponíveis e começarão a ter um impacto significativo no curso da pandemia, disseram as autoridades. 

O médico Anthony Fauci, principal infectologista dos EUA, estima que cerca de 70% a 85% da população precisa ser vacinada contra a Covid-19 para que o país obtenha imunidade de rebanho.

(Texto traduzido; leia o original em inglês)