Invasão do Capitólio entra para a história dos EUA como afronta à democracia

Congresso dos Estados Unidos, a maior democracia do mundo, foi invadido

Núria Saldanha, da CNN, em Washington, nos Estados Unidos
07 de janeiro de 2021 às 13:45


O dia 6 de janeiro de 2021 entrou para a história. O Congresso dos Estados Unidos, a maior democracia do mundo, foi invadido.

Manifestantes forçaram a passagem até que os policiais do Capitólio não deram conta de segurar a multidão. Eles passaram em fila pela sala das estátuas dos heróis que fizeram parte da história americana, enquanto senadores e representantes da Câmara foram retirados às pressas.

Nos corredores, o confronto acontecia. A polícia usou bombas de gás lacrimogêneo; houve luta corporal. Sozinho, um segurança se viu acuado pelos invasores e subiu as escadas fugindo.

Do lado de fora, a escadaria também foi tomada por apoiadores de Donald Trump, com bandeiras dos Estados Unidos e de apoio ao presidente derrotado nas eleições.

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Manifestante a favor de Donald Trump invadem o Congresso nos Estados Unidos
Manifestante a favor de Donald Trump invadem o Congresso nos Estados Unidos
Foto: CNN (06.jan.2021)

Horas depois de o Capitólio ser invadido, Trump divulgou um vídeo repetindo que as eleições foram roubadas e pediu para que os seus eleitores deixassem o prédio. Era tarde, pois mais cedo foi o próprio presidente que incitou seus eleitores.

Estabelecida pela Constituição americana, a sessão conjunta do Congresso para confirmação dos votos do colégio eleitoral era pra ser apenas uma formalidade. Assim acontece há mais de 130 anos nos Estados Unidos. Porém, Donald Trump e os aliados transformaram a última etapa da eleição presidencial em um grande espetáculo.

Depois de mais dois meses de tentativas frustradas de mudar o resultado eleitoral - que foram desde ações judiciais que alegavam fraude até pressão sobre autoridades para encontrarem votos - Trump convocou seus apoiadores e eles responderam.

Milhares de pessoas marcharam pela capital americana entoando frases que o presidente tem repetido desde o dia 3 de novembro, sem apresentar provas: 'parem com o roubo! A eleição foi roubada'.

Em discurso aos manifestantes, Trump disse que nunca vai desistir nem conceder a vitória a Joe Biden. E jogou a responsabilidade no colo dos legisladores. Biden classificou a invasão de desordem e de caos. 

O vice-presidente, Mike Pence, responsável pela sessão no Senado, prometeu defender a Constituição e confirmar a vitória do democrata Joe Biden.