Cafeteria mais antiga do mundo pode fechar as portas por causa da pandemia

Apesar de ter sobrevivido a duas guerras mundiais, enchentes e a gripe espanhola, talvez a pandemia do novo coronavírus possa encerrar a história do local

Larissa Santos, colaboração para a CNN
20 de janeiro de 2021 às 14:38 | Atualizado 21 de janeiro de 2021 às 10:39


Após completar 300 anos em dezembro de 2020, o Café Florian, clássica cafeteria italiana localizada na Praça de São Marcos, em Veneza, corre o risco de encerrar suas atividades muito em breve.

O café italiano enfrentou uma enchente em novembro de 2019, a segunda maior na história de Veneza, com quase dois metros de altura de água. O estrago da tragédia foi tamanho que a cidade teve mais de 1 bilhão de euros (aproximadamente R$ 6,4 bilhões) de prejuízo.

 

Café pode ter que fechar as portas por causa da pandemia de Covid-19
Foto: Instagram/Reprodução

Com a promessa de se recuperar em 2020, a pandemia do novo coronavírus transformou a cidade turística em uma cidade fantasma. O carnaval de Veneza sempre atrai milhares de turistas e foi cancelado com a chegada da pandemia de Covid-19 na Itália.

História centenária

O Café Florian foi fundado em dezembro de 1720, com o nome de “Alla Venezia Trionfante”, por Floriano Francesconi. O espaço foi se popularizando e as pessoas costumavam dizer que iam ao “Florian”, nome de seu dono. 

Pouco depois ele foi rebatizado com o nome de “Café Florian”. 

Um dos principais pontos turísticos ao visitar a cidade, o café atraiu celebridades e turistas em seus três séculos de vida. Entre os frequentadores do espaço estão Charles Dickens, Marcel Proust, Andy Warhol, Friedrich Nietzsche, Charles Chaplin, Margaret Tatcher e muitos outros. 

O local também serviu de cenário para filmes, como o “The Talented Mr. Ripley” (“O Talentoso Ripley”, em português), gravado em 1999 com Matt Damon e Gwyneth Paltrow no elenco.

Personalidades com Andy Warhol estiveram na histórica cafeteria italiana
Foto: Instagram/Reprodução

O impacto do novo coronavírus

Apesar de ter sobrevivido a duas guerras mundiais, enchentes e a gripe espanhola, talvez a pandemia do novo coronavírus possa encerrar a história do estabelecimento.

De acordo com o jornal argentino La Nación, apesar dos problemas, em 2019 o espaço teve um faturamento de 8,5 milhões de euros (aproximadamente R$ 54,5 milhões). Em 2020, porém, o total arrecadado despencou e foi de 2,5 milhões de euros (Cerca de R$ 16 milhões). 

O governo italiano criou ajudas financeiras para a crise do novo coronavírus apenas para empresas que tiveram um faturamento menor que 5 milhões de euros (aproximadamente R$ 32 milhões) em 2019, o que não permite que o Café Florian possa pedir auxílio.

Em uma entrevista para a revista americana Architectural Digest, Marco Paolini, gerente do café, comentou que o aluguel de um ano do espaço custa cerca de 1 milhão de euros (aproximadamente R$ 6,4 milhões), pagos para uma empresa privada e para o Estado. Ele conta que a empresa perdoou metade da dívida, mas o estado italiano não ajudou em impostos, aluguel ou com ajuda de custo. 

Segundo o jornal argentino, 65% da população local de Veneza se dedica às atividades turísticas.  

Florian é um dos principais pontos turísticos de Veneza
Foto: Instagram/Reprodução

“Não sobrou ninguém em Veneza. Na Praça de São Marcos não há estabelecimentos abertos. Os museus estão fechados. No verão, poderíamos lidar com 20 ou 30% do faturamento normal. Mas agora nem abrimos, porque não há absolutamente nenhuma alma na cidade ”, disse Paolini à revista americana.

O fechamento do Café Florian não é apenas a perda de um espaço turístico em Veneza, mas também o encerramento de uma parte da história italiana. 

“Essa crise não é apenas econômica, mas histórica, já que o Café Florian é um pedaço da história italiana conhecida em todo o mundo”, disse o gerente.