Especialistas analisam como será a relação do Brasil com os EUA na gestão Biden

Democrata foi empossado como o 46º presidente dos Estados Unidos nesta quarta-feira (20)

Da CNN, em São Paulo
20 de janeiro de 2021 às 16:37

 

A posse do democrata Joe Biden como o 46º presidente dos Estados Unidos pode mudar a relação do país com o Brasil.

À CNN, diversos especialistas em relações internacionais prospectaram como será a diplomacia bilateral entre as nações a partir de agora.

 

'Saco de pancadas'

 

Doutor em Relações Internacionais, Carlos Gustavo Poggio avalia que o Brasil nunca foi uma prioridade para a política externa dos Estados Unidos e o governo de Donald Trump reforçou isso ao "esnobar" a relação bilateral entre os países. Com a entrada do democrata Joe Biden na presidência americana, isso pode mudar de figura, porém ainda de forma desfavorável para o Brasil — já que o novo presidente pretende impor forte agenda ambiental.

"No caso do Joe Biden, o Brasil pode se tornar um tipo de prioridade, mas por um aspecto negativo", afirmou Poggio. "Creio que na política externa do Biden, se o Brasil vai ser servir de alguma coisa, será de saco de pancadas para poder ilustrar o que Biden vai fazer do ponto de vista do meio ambiente."

Futuro de Trump


Donald Trump, que deixou oficialmente a presidência dos Estados Unidos nesta quarta-feira (20), tem o futuro político incerto. Para o professor de Direito Internacional da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Thiago Amparo, Joe Biden toma precauções para não ter o início do mandato ofuscado por um possível impeachment do antecessor.

"Há o perigo de se continuar discutindo a invasão ao Capitólio e o impeachment, mas Biden tenta estabelecer a agenda legislativa. Uma forma dele contrabalancear isso foi desde o primeiro dia ter colocado as prioridades para os primeiros 100 dias".

Meio ambiente em foco


Ex-embaixador do Brasil em Washington, Rubens Barbosa acredita que um dos principais focos da política externa do governo de Joe Biden nos Estados Unidos será o meio ambiente e, por isso, o Brasil precisará se ajustar para evitar possíveis sanções econômicas.

"Eu não vejo nenhuma possibilidade de uma confrontação imediata dos Estados Unidos com o Brasil por causa das posições que o governo brasileiro adotou até agora em relação ao Trump", disse Barbosa. "Mas na área ambiental, por exemplo, que é um dos focos da política do novo governo, vai haver, sim, posições muito divergentes e que vamos ter que nos ajustar", afirmou.

Novo partido

A ala do partido Republicano mais fervorosa na defesa de Donald Trump pode criar uma nova legenda caso não consiga impor sua vontade na sigla após a posse de Joe Biden na presidência dos Estados Unidos. A avaliação é do coordenador do curso de Relações Internacionais da USP, Felipe Loureiro.

"Ainda é difícil dar uma resposta, mas existe hoje uma divisão no partido Republicano. Há quem considere a invasão ao Capitólio inadmissível, mas há muitos líderes do partido apoiados numa base trumpista em muitos estados que mantêm a retórica de farsa eleitoral", explica, sobre o racha.