Fracking, a polêmica técnica em busca de petróleo criticada por Biden

Método de extração de petróleo e gás opõe empresas e novo governo, que já admitiu que pode não conseguir bani-lo

Juliana Faddul, colaboração para a CNN Brasil
28 de janeiro de 2021 às 20:58
Joe Biden, presidente dos Estados Unidos
Foto: Reprodução/CNN (27.jan.2021)

Questões ambientais sempre foram um tópico delicado para os Estados Unidos, ainda mais que o país ocupa a posição de segundo mais poluente do mundo. Um problema não tão simples de resolver, visto que a produção de combustíveis é um importante pilar para a economia norte-americana.

Com a posse do novo presidente americano, Joe Biden, o tema volta mais uma vez à pauta. Na quarta-feira (27), Biden assinou uma série de decretos para combater os efeitos das mudanças climáticas e, mais uma vez, citou a polêmica técnica do "fracking", que já havia criticado na campanha.

Entre as medidas adotadas por Biden, estão a viabilização de alternativas para o "fracking", termo em inglês para "fraturamento hidráulico"

Numa explicação simples: o faturamento hidráulico é uma maneira de extrair combustíveis líquido e gasoso natural das rochas. O procedimento é uma injeção através de um tubo de uma mistura de diversos produtos químicos (entre eles alguns bastante tóxicos) para fissurar de forma controlada as rochas que estão no subsolo e, assim, retirar o combustível.

O problema está no alcance dessas rochas. Para chegar até elas é necessário ultrapassar o lençol freático, onde está a água potável. Ou seja, caso haja algum problema nos canos, o risco de contaminação se torna altíssimo – Nova York, inclusive, já proibiu o uso da técnica.

Para os defensores da prática, há uma garantia de que a água é segura para uso e que pode ser usada para irrigação na agricultura.

Outro benefício defendido pela indústria seria um possível efeito rebote. Segundo uma tese formulada pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT, na sigla em inglês) e publicada na Nature Communications, o dióxido de carbono substituiria naturalmente o metano no interior dos poros da rocha e pode ser armazenado no solo e assim  diminuir a emissão deste gás, um dos responsáveis pelo aquecimento global.

A publicação deixou claro que esta é uma hipótese, ou seja, não foi conclusivo.

Fracking e economia 

O problema, contudo, ultrapassa o risco ambiental de poluição da água e entra numa esfera muito mais complicada: a econômica. O método é responsável por 50% dos combustíveis usados nos EUA, segundo a US Energy Information Administration.

Gigantes como ExxonMobil e Chevron, que operam com o fracking, são responsáveis por 15 milhões de empregos, segundo levantamento feito pelo Global Energy Institute em 2020. Ou seja, o problema é, literalmente, bastante profundo.

Biden, na tentativa de não causar um rebuliço em seu primeiro mês de mandato, afirmou que não banirá o faturamento hidráulico. Neste primeiro momento o objetivo seria criar “empregos verdes” para que haja uma transição tranquila tanto para operários como empresas.

Vale dizer que a decisão de acabar ou não com o fracking vai além das vontades do presidente. Como a técnica é controlada por empresas privadas, a decisão teria de passar pelo congresso. Ou seja, mesmo que quisesse Biden não poderia banir a prática de uma hora para a outra.

Durante a campanha eleitoral o presidente prometeu oferecer mais de dez milhões de empregos verdes, o que poderia facilitar a tão sonhada (e divulgada) transição.

Biden tem a pretensão de ser o presidente “mais verde” dos EUA. Além dos empregos, ele também prometeu investir dois trilhões de dólares em energias limpas, além acabar com subsídios aos combustíveis fósseis e proibir as novas licenças para extração de petróleo e gás em terras públicas.