Justiça do Paquistão liberta condenados por decapitar jornalista americano

Suprema Corte diz que os 4 condenados pelo sequestro e assassinato de Daniel Pearl 'sofreram danos irreparáveis e extremo preconceito'

Sophia Saifi , da CNN
28 de janeiro de 2021 às 09:54 | Atualizado 28 de janeiro de 2021 às 09:55
Daniel Pearl segura jornal em imagem divulgada por sequestradores, em 2002, antes dele ser assassinado
Foto: Reuters

A Suprema Corte do Paquistão decidiu que os quatro homens condenados pelo sequestro e assassinato do jornalista norte-americano Daniel Pearl devem ser libertados.

Pearl trabalhava como chefe da sucursal do Wall Street Journal no Sul da Ásia em 2002, quando foi sequestrado na cidade de Karachi, no sul do Paquistão, enquanto fazia reportagens sobre Richard Reid, terrorista britânico conhecido como o "homem do sapato-bomba".

O sequestro de Pearl atraiu a atenção internacional, em meio à crescente preocupação com a ameaça representada pelo terrorismo islâmico radical.

Mais tarde, os agressores filmaram a decapitação do jornalista e enviaram às autoridades dos Estados Unidos. Foi um dos primeiros vídeos de propaganda extremista com reféns e ajudou a inspirar outros grupos terroristas a filmarem atos de violência.

Quatro homens foram presos em 2002 e condenados pelo sequestro e assassinato de Pearl. Um deles, o britânico Ahmed Omar Saeed Sheikh, foi condenado à pena de morte.

Em abril de 2020, um tribunal superior na província de Sindh, onde está localizada Karachi, revogou as condenações de três dos quatro homens e reduziu a sentença de Sheik a sete anos de prisão, o que significa que ele pode ser solto após cumprir a pena.

O tribunal disse que os homens "sofreram danos irreparáveis ??e extremo preconceito" após passarem 18 anos atrás das grades e, em dezembro, ordenou que os quatro fossem libertados.

Tanto a família Pearl quanto as autoridades do Paquistão apelaram à Suprema Corte do país, que na quinta-feira (28) decidiu a favor dos extremistas.

De acordo com uma declaração do advogado Faisal Siddique Said, a família de Pearl estava "em choque" com a decisão, que eles descreveram como uma "completa falha de Justiça" e que colocaria em perigo jornalistas e o povo do Paquistão.

A declaração exortou o governo dos Estados Unidos a "tomar todas as medidas necessárias de acordo com a lei para corrigir esta injustiça" e acrescentou que a família espera que as autoridades paquistanesas também ajam.

Os quatro homens, que ainda estão detidos após a decisão do tribunal, foram incluídos na lista de controle de saída, impedindo-os de deixar o país, segundo o Ministério do Interior do Paquistão.

(Texto traduzido; leia o original em inglês)