Morre médico que cuidou de opositor de Putin envenenado

Sergey Maximishin, médico-chefe adjunto no Hospital de Emergências de Omsk, teve morte súbita aos 55 anos

Por Matthew Chance, Anna Chernova, Zahra Ullah e Ivana Kottasová - CNN
04 de fevereiro de 2021 às 18:40
Líder opositor Alexei Navalny discursa em Moscou
Líder opositor Alexei Navalny discursa em Moscou
Foto: Shamil Zhumatov - 29.set.2019 / Reuters

Um médico do hospital russo onde o líder da oposição Alexey Navalny foi tratado imediatamente após ser envenenado no verão passado morreu, disse o hospital nesta quinta-feira (4).

Sergey Maximishin, médico-chefe adjunto no Hospital de Emergências de Omsk, teve morte súbita aos 55 anos, de acordo com a declaração divulgada pelo Hospital.

“Com pesar, nós informamos que o médico-chefe adjunto de anestesiologia e ressuscitação no Hospital de Emergências, assistente no departamento da Universidade Médica Estadual de Omsk, PhD de ciências médicas Sergey Maksimishin Valentinovich faleceu subitamente”. A causa da morte não foi mencionada.

Navalny, opositor do governo russo, foi inicialmente admitido na unidade de envenenamento agudo do Hospital de Emergências de Omsk no dia 20 de agosto de 2020, depois de passar mal ao ser exposto ao composto neurotóxico Novichok em um avião que seguia da Sibéria para Moscou. O avião fez um pouso de emergência em Omsk.

Durante o período de internação de Navalny, Maximishin não deu declarações à imprensa. Como médico-chefe adjunto de anestesiologia e ressuscitação no Hospital de Emergências, ele era um dos profissionais mais experientes da instituição.

Navalny foi colocado em coma induzido e levado para a capital alemã, Berlim, onde passou cinco meses se recuperando do envenenamento. Depois de retornar para a Rússia, ele foi levado para a prisão esta semana por violar os termos de liberdade condicional de uma sentença anterior. O veredito gerou rápida repercussão negativa no exterior, incluindo nos Estados Unidos.

Navalny atribuiu seu envenenamento aos serviços de segurança russos e ao próprio presidente Vladimir Putin, acusações negadas rapidamente pelo Kremlin.

Uma investigação da CNN-Bellingcat em dezembro implicou o Serviço de Segurança Russo (FSB na sigla em russo) no ataque. Navalny também induziu um dos agentes a revelar que ele foi envenenado com o composto neurotóxico Novichok, aplicado em suas roupas íntimas.

Leonid Volkov, chefe da equipe de Navalny, confirmou que Maximishin era o encarregado de tratar com o líder da oposição. “Sergey Maximishin era o chefe do departamento que tratou Alexey Navalny e estava encarregado de seu tratamento – especificamente de seu coma induzido”, disse Volkov à CNN.

“(Maximishin) sabia mais do que ninguém sobre o estado de Alexey, por isso não posso descartar a possibilidade de ter sido um ato criminoso”, acrescentou ele.

“No entanto, o sistema de saúde da Rússia é muito precário e não é incomum que médicos de sua idade morram repentinamente. Duvido que haverá alguma investigação sobre a sua morte”, continuou Volkov.

A CNN está buscando comentários adicionais das autoridades de saúde locais sobre a causa da morte de Maximishin. Mortes de trabalhadores médicos da linha de frente russa, incluindo delatores, tornaram-se um tópico carregado politicamente no país em meio à pandemia de Covid-19. A CNN não tem evidências de que tenha havido um ato criminoso.

O ministro da saúde da região de Omsk disse em um comunicado que Maximishin trabalhou no hospital por 28 anos e salvou milhares de vidas.

“Ele trouxe as pessoas de volta à realidade plena. Sentiremos muita falta do Dr. Maximishin. Ele se foi muito cedo e por isso a dor da perda é especialmente amarga”, disse Alexander Murakhovsky em um comunicado.