Partidos pró-independência conquistam maioria nas eleições da Catalunha

Uma baixa participação de 53% do eleitorado em meio à pandemia, ante 79% na eleição anterior, em 2017, pode também ter favorecido os partidos separatistas

Joan Faus e Luis Felipe Castilleja, da Reuters
14 de fevereiro de 2021 às 22:43 | Atualizado 14 de fevereiro de 2021 às 23:11
Bandeira da Catalunha
Final de semana foi de eleição na Catalunha
Foto: Keith Hawkins/EyeEm/gettyimages

Os partidos separatistas conquistaram assentos suficientes neste domingo (14), no parlamento regional da Catalunha, para fortalecer sua maioria, embora acenos ao braço local do partido Socialista, que governa a Espanha, apontem mais para um diálogo do que para um rompimento com Madrid. 

Com mais de 99% das urnas apuradas, os separatistas ganhavam 50,9% dos votos, passando a marca dos 50% pela primeira vez. O cenário mais provável é que os dois principais partidos pró-independência ampliem sua coalizão.

É pouco provável, porém, que o desfecho leve à repetição de qualquer coisa parecida com a caótica e breve declaração de independência da região em relação à Espanha que aconteceu em 2017. As tensões estão menores e a maior parte dos eleitores estava mais preocupada com a pandemia de coronavírus do que com a independência.  

Uma baixa participação de 53% do eleitorado em meio à pandemia, ante 79% na eleição anterior, em 2017, pode também ter favorecido os partidos separatistas, já que seus apoiadores estavam mais mobilizados.

Durante a hora final da votação, os monitores eleitorais trocaram as máscaras faciais por proteções de corpo inteiro, já que o horário foi reservado para pessoas com quadro de Covid-19 confirmado ou suspeito. Outras precauções durante o dia incluíram a temperatura medida na chegada, gel para as mãos e entradas e saídas separadas.

O partido de esquerda separatista Esquerda Republicana da Catalunha (ERC) disse que lideraria o governo regional e buscaria o apoio de outros partidos para um referendo sobre a independência. 

“Uma nova era começa no país com os separatistas passando dos 50% dos votos pela primeira vez. Nós temos uma força imensa para conseguir o referendo e uma república da Catalunha”, disse o chefe regional Pere Aragones, que liderou a lista de candidatos do seu partido. Ele pediu ao primeiro ministro Pedro Sanchez que aceitasse o diálogo para chegar a um acordo sobre o referendo. 

Mas a votação fragmentada, com os socialistas tendo alcançado o maior percentual de votos, 23%, e o mesmo números de assentos que o ERC – 33, em uma assembleia de 135 representantes –, indica que eles devem tentar um diálogo.

O candidato socialista Salvador Illa, que até recentemente estava liderando as políticas da Espanha contra o novo coronavírus como ministro da Saúde, afirmou que há uma ampla expectativa na Catalunha por reconciliação, depois de anos de separatismo. 

Ele afirmou que vai tentar buscar maioria no parlamento. Isto, porém, demandaria alianças improváveis com outros partidos. 

O partido de centro-direita pró-independência Junts ganhou uma estimativa de 32 assentos, enquanto o separatista de extrema-esquerda CUP ficou com nove. Ambos os partidos são considerados peça-chave para a formação de uma nova coalização separatista. 

O partido espanhol nacionalista de extrema-direita Vox ganhou 11 cadeiras no parlamento da Catalunha pela primeira vez, à frente do Partido Popular, o principal partido conservador espanhol, e do Ciudadanos, de centro-esquerda. O Vox já é o terceiro maior partido do parlamento nacional da Espanha. 

Como o ERC conseguiu mais parlamentares que o Junts dessa vez, a estabilidade do governo central espanhol pode ganhar um impulso extra. O resultado pode ser visto como uma boa notícia para Sanchez, já que seu partido Socialista levou mais que o dobro dos 17 assentos que tinha conquistado em 2017.