Após tempestade, moradora do Texas recebe conta de energia elétrica de R$ 53 mil

Lisa Khoury abre processo e alega cobrança abusiva de preços feita pela companhia durante a tempestade de inverno que atingiu todo o estado na última semana

Konstantin Toropin, da CNN
25 de fevereiro de 2021 às 13:58
Área sem energia elétrica após o forte frio causar apagões no Texas
Área sem energia elétrica após o forte frio causar apagões no Texas
Foto: Mikala Compton/Reuters

Uma mulher do Texas entrou com uma ação coletiva de bilhões de dólares contra a empresa de energia elétrica Griddy Energy, alegando que a companhia aumentou abusivamente e ilegalmente os preços durante a tempestade de inverno que atingiu todo o estado na semana passada e que gerou quedas de energia, de acordo com um comunicado do escritório de advocacia.

Lisa Khoury, residente de um subúrbio de Houston, afirma que foi cobrada um total de U$ 9.546 (cerca de R$ 53 mil) pela empresa Griddy, de 1º a 19 de fevereiro, de acordo com uma cópia de sua conta de luz arquivada na ação.

Antes de fevereiro, a média mensal da conta de energia elétrica de Khoury variava entre U$ 200 e U$ 250 (R$ 1.100 e R$ 1.375), de acordo com o processo.

O processo alega que a Griddy “cometeu aumento abusivo de preços”, foi negligente quando “não conseguiu proteger os consumidores de contas excessivas de energia elétrica”, e que, ao vender eletricidade a preços altos no meio da tempestade, a empresa “enriqueceu injustamente”.

Quando contatada pela CNN, a Griddy não respondeu imediatamente às alegações do processo, embora tenha enviado declarações abordando amplamente as alegações de fraude de preços. A empresa negou categoricamente que seu modelo de negócios de vender energia elétrica aos consumidores a preços de atacado seja uma fraude de preços.

Os texanos têm opções de como serão cobrados por sua eletricidade, de acordo com o site da Comissão de Utilidade Pública do Texas (PUCT, na sigla em inglês). Se um cliente escolher um plano fixo, o preço da eletricidade é travado e não flutua com o mercado, ao contrário dos planos de tarifas de mercado, como os disponibilizados neste caso pela Griddy.

“Nós cobramos (dos clientes) o preço de atacado em tempo real da energia, que muda a cada 5 minutos”, escreveu a Griddy em seu comunicado. “Você efetivamente paga o mesmo preço que um provedor ou concessionária de energia no varejo”.

Em seu site corporativo, a Griddy apregoa que os clientes “pagam exatamente o preço que compram de eletricidade” e que seu modelo “supera a média (do Texas) 96% das vezes”.

Em um comunicado na semana passada, a empresa culpou a Comissão de Utilidade Pública estadual por implementar “um mecanismo de precificação fora do mercado para a eletricidade exigindo preços que chegam a centenas de vezes os preços normais”.

“Aqui está o que sabemos: é o mercado que deve definir os preços, e não nomeados políticos”, disse a empresa, acrescentando que também buscava alívio dos reguladores para seus clientes que foram expostos aos altos preços.

O processo, aberto na segunda-feira, busca uma liminar para impedir a Griddy “de cobrar e receber pagamentos de clientes que receberam contas com preços excessivos” e “perdoar totalmente qualquer atraso ou falta de pagamento”.

Khoury e todos os outros membros da classe proposta, que incluiria todos os residentes do Texas que usaram energia da Griddy e foram atingidos por cobranças excessivas resultantes da tempestade, estão “buscando alívio monetário de mais de R$ 5,5 bilhões (1 bilhão de dólares)”.

Travis Caldweel, da CNN, contribuiu para este artigo.

Texto traduzido. Leia o original em inglês.