Mulher arranca máscara e tosse em motorista de Uber na Califórnia

Briga teria começado após o condutor, que é do Nepal, pedir que as passageiras usassem o item de proteção

da CNN*
13 de março de 2021 às 15:08 | Atualizado 13 de março de 2021 às 15:09
Briga no Uber
O motorista Subhakar Khadka cancelou uma corrida no Uber depois que a passageira se recusou a usar máscara
Foto: Subhakar Khadka

O motorista de Uber Subhakar Khadka, que veio do Nepal para a Califórnia, compartilhou um trecho de vídeo de uma corrida que mostra passageiras tossindo e o agredindo física e verbalmente. 

O segmento, de 42 segundos, mostra uma mulher abaixando a máscara, tossindo na direção do motorista e tentando tirar o celular dele. A outra também tira a máscara e diz estar com Covid-19. 

Duas das mulheres foram identificadas como Arna Kimiai e Malaysia King, ambas de 24 anos. 

King foi detida na última quinta-feira (11) pela polícia de Las Vegas por conexão com outros crimes, como agressão com agente cáustico e violação do código de saúde e segurança, informou a polícia de São Francisco em nota. 

Kimiai está foragida, mas informou à polícia de São Francisco, através de seu advogado, que pretende se entregar em breve. O Departamento de Polícia da cidade diz que anunciará quais serão as acusações contra ela assim que ela for detida ou se apresentar. 

A CNN tentou entrar em contato com as mulheres, mas não obteve resposta. O advogado de Kimiai também foi contatado. Não é claro no momento se King tem um representante legal. 

Agressão

Khadka narrou o acontecido à CNN, dizendo que pegou três passageiras em São Francisco no último domingo (7), por volta das 12h45. 

Uma delas não usava máscara, então ele diz ter parado o carro próximo de um posto de gasolina para que ela comprasse uma. 

Ele, porém, não estava gostando do comportamento delas. Quando a mulher voltou para o carro, ele anunciou que encerraria a corrida, o que as irritou. 

No vídeo, a mulher identificada como Kimiai abaixa a máscara, tosse na direção do motorista e diz, "D*da-se a máscara". A mulher identificada como King também coloca a máscara no queixo e fala, "E eu estou com corona". 

Logo depois, Kimiai avança para o banco da frente e tenta pegar o celular do motorista. Ela arranca a máscara dele, arrebentando um dos elásticos, e o ameaça de agressão física. 

O confronto durou cerca de 15 minutos, disse Khadka. 

Não é claro o que acontece antes ou depois do trecho de 42 segundos. O motorista disse que a câmera do painel dele só grava quando o carro está ligado, e houve momentos que não foram capturados porque ele estava estacionado e se recusando a dirigir até que todas as passageiras estivessem usando a máscara.

O vídeo divulgado é apenas uma parte da gravação que Khadka entregou à polícia.

Eventualmente, as mulheres saíram do carro, mas uma pessoa "colocou a mão por dentro de uma janela aberta e borrifou o que parecia ser spray de pimenta dentro do veículo e na direção do motorista", disse o agente Robert Rueca, da polícia de São Francisco. Ainda não se sabe quem fez isso e porque esse momento não está no trecho de vídeo. 

As suspeitas fugiram do local, de acordo com um relatório da polícia, e apesar de uma prisão ter sido feita, a corporação ainda investiga o ocorrido. 

"O comportamento capturado no vídeo nesse incidente mostra uma desconsideração cruel pela segurança e bem-estar de um trabalhador essencial no meio de uma pandemia fatal. Levamos essa conduta muito a sério em São Francisco e estamos comprometidos em garantir que a justiça seja feita nesse caso", disse a tenente Tracy McCray em nota. 

Aparência e sotaque

Khadka, que emigrou para a Califórnia há sete anos com o sonho de fazer a vida e trazer o restante da família que ficou no Nepal, diz acreditar que a sua aparência e sotaque foram parte do motivo da agressão. 

"Os crimes violentos contra ásio-americanos estão crescendo, e é nojento ver como as pessoas acham que é OK tratar outra pessoa dessa maneira", disse. "Eu tenho muitos amigos que trabalharam em lojas de conveniência, postos de gasolina e em atendimento ao cliente, e a maioria deles têm histórias iguais". 

"Acredito que o jeito que eu falo e o jeito com que me pareço tiveram um papel principal aqui", falou. 

Ele ainda não voltou a dirigir desde o incidente. 

"Eu tentei voltar a trabalhar, eu aceitei algumas corridas, mas não senti que estava com a cabeça porque estava pensando em outras coisas e dirigir não seria seguro, então voltei para casa", contou. 

Ele disse ter pedido à Uber ajuda para pagar o custo da limpeza do carro. "Qualquer pessoa que entrasse e pusesse a mão nos assentos e passasse no nariz, boca ou olhos, seria machucada", disse ele, se referindo ao spray de pimenta. 

Em resposta à CNN, a Uber disse ter banido as três passageiras e que está em contato com Khadka para apoiá-lo. 

O motorista contou que, após a repercussão do vídeo, ele ligou para a família dele no Nepal. 

"Eles são família, então se preocupam muito", disse. "Liguei para eles e disse, 'tem um vídeo circulando, não se preocupem, é para uma causa social, precisamos de justiça'".  

Khadka diz ter compartilhado o vídeo para ajudar a polícia a identificar as suspeitas. "Quando elas forem identificadas e estiverem sob custódia da polícia, então vamos avançar para ter justiça e era isso o que eu queria". 

Uma vaquinha online está arrecadando dinheiro em nome de Khadka. 

(*Com informações de Alisha Ebrahimji, da CNN)