Da prisão, ex-presidente da Bolívia posta carta denunciando supostos abusos

Jeanine Áñez também pediu à população que, caso algo grave aconteça com ela, garantisse a segurança de sua família; carta foi postada no Twitter

Florencia Trucco, da CNN em Espanhol
23 de março de 2021 às 14:36
Jenine Añez chega à prisão em La Paz
Ex-presidente da Bolívia chega à penitenciária feminina em La Paz, em 15 de março de 2021
Foto: Gaston Brito/Getty Images

A ex-presidente interina da Bolívia, Jeanine Áñez, que está no Centro de Orientação Feminina de Miraflores, escreveu uma carta na qual denunciava supostos abusos em sua prisão “com mais de cem soldados que chegaram armados até os dentes”.

A carta publicada nesta terça-feira (23) em sua conta no Twitter, ela destacou que nenhum de seus familiares conseguiu entrar em sua casa para retirar seus pertences, como roupas e remédios. Sobre o seu estado de saúde, ela denunciou que as autoridades negaram que ela fosse examinada por médicos independentes. Ela reiterou que durante seu mandato não houve golpe de Estado e que “nunca” cometeu atos ilícitos. Por fim, pediu à população que, caso algo grave aconteça com ela, garantisse a segurança de seus filhos e de sua família.

 

A CNN está se comunicando com autoridades do governo boliviano para um posicionamento sobre as queixas de Áñez. Em entrevista ao canal estatal Bolívia TV, o diretor nacional do Regime Penitenciário, Juan Carlos Limpias, afirmou que estão “protegendo” a saúde de Áñez e negou “qualquer afirmação” de que a estejam atacando. Ele afirmou que pelo menos três médicos a trataram. Na semana passada, a instituição afirmou que o governo “não vai replicar práticas passadas que vão contra os direitos das pessoas presas nos centros penitenciários”. 

Um tribunal de La Paz ordenou que Áñez fosse enviada para uma penitenciária feminina na cidade, sob prisão preventiva por seis meses, enquanto as investigações são realizadas.

O Ministério Público acusou a ex-presidente e seus ex-ministros da Justiça e Energia pelos crimes de “terrorismo, conspiração e sedição” no âmbito do caso denominado “Golpe de Estado”.

Añez afirmou que tal golpe de Estado “nunca” ocorreu e denunciou uma perseguição política contra ela e seus ex-funcionários.

(Texto traduzido. Leia o original em espanhol).