EUA suspendem comércio com Mianmar após mais mortes violentas em protestos

Medida entra em vigor 'imediatamente' e 'permanecerá até o retorno do governo eleito democraticamente'

Betsy Klein, da CNN
29 de março de 2021 às 14:36 | Atualizado 29 de março de 2021 às 14:37
Protestos em Mianmar
Protestos em Mianmar: Manifestantes contrários ao golpe militar entram em confronto com forças de segurança na cidade de Yangon
Foto: Stringer/Reuters

O governo Biden, dos Estados Unidos, anunciou a suspensão de todo o engajamento comercial com Mianmar nesta segunda-feira (29), após um final de semana de violência contra manifestantes pró-democracia e o dia com mais mortes desde que os militares tomaram o poder em um golpe em 1 de fevereiro último.

A suspensão “permanecerá em vigor até o retorno do governo eleito democraticamente”, afirma uma nota emitida pelo escritório da representante do Comércio dos Estados Unidos, Katherine Tai.

Mais de 100 civis, incluindo crianças, foram mortos por oficiais do exército em protestos contra o golpe militar em todo o país durante o sábado (27), gerando condenação internacional.

O presidente americano, Joe Biden, caracterizou a violência como “terrível” e “absolutamente ultrajante''.

“Baseado nos relatórios que recebi, uma quantidade enorme de pessoas foram assassinadas sem nenhuma necessidade”, disse Biden a repórteres no domingo, enquanto embarcava em viagem de Delaware até Washington.

Quando perguntado sobre qual seria a resposta dos EUA para as atrocidades registradas, Biden disse que “já estavam trabalhando nisso”.

A suspensão dos negócios anunciada na segunda-feira começa a vigorar “imediatamente”.

“Os Estados Unidos apoiam o povo da Birmânia em seus esforços para restaurar o governo democraticamente eleito, que é a base da reforma e crescimento econômico do país”, disse Tai em nota, usando um nome alternativo para Mianmar, Birmânia. 

Tai prossegue, “Os Estados Unidos condenam fortemente as forças de segurança birmanesas pela violência exercida contra os civis. O assassinato de manifestantes pacíficos, estudantes, trabalhadores, líderes sindicais, médicos e crianças chocou os escrúpulos da comunidade internacional. Essas ações são um golpe direto na transição do país para a democracia e nos esforços do povo birmanês para atingir um futuro próspero e pacífico.”

Monges em protesto em Mianmar
Monges em protesto em Mianmar
Monges protestam contra golpe militar em Mianmar, em 28 de março de 2021Crédito: Jose Lopes Amaral/NurPhoto via Getty Images
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A União Nacional Karen (KNU), grupo étinico armado que controla a região sudeste de Mianmar, disse à CNN que mais ataques aéreos foram coordenados pelo governo militar de Mianmar no domingo, após jatos militares terem assassinado pelo menos dois membros da milícia KNU no sábado, em um bombardeio próximo à fronteira da Tailândia, e muitos civis fugiram cruzando a borda.

Na semana passada, o Secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken, anunciou novas sanções contra membros do exército de Mianmar, designando o chefe da polícia, Than Hlaing, e seu comandante do escritório de Operações Especiais, Ten. Gen. Aung Soe, assim como duas unidades do exército como sendo “responsáveis, cúmplices, direta ou indiretamente envolvidos em ações ou políticas que proíbem, limitam ou penalizam o exercício da liberdade de expressão ou reunião de pessoas na Birmânia”, disse Blinken em nota.

Os militares tomaram o poder clamando que as eleições em 8 de novembro —  vencidas pelo partido da líder política Aung San Suu Kyi, a Liga Nacional Pela Democracia — foram fraudadas. Após o comitê eleitoral do país descartar a denúncia, o exército tomou a comissão.

O golpe marca o retorno ao regime militar, que sufocou Mianmar por décadas até uma pequena brecha democrática ter sido aberta em 2010. Enquanto os cidadãos do país tomam as ruas para defender seu sistema eleitoral com greves e manifestações, os militares respondem com violência crescente e esforços para cercear as comunicações. O acesso à internet foi restrito, jornalistas foram presos e alguns jornais foram impedidos de publicar.

Nicole Gaouette, Ivan Watson e DJ Judd da CNN contribuíram para esta reportagem.

(Texto traduzido. Leia o original em inglês).