Biden envia emissários a Taiwan em momento de tensão militar com a China

Governo chinês descreve suas ações próximas ao território de Taiwan como "exercícios de combate" e diz que não vai tolerar interferências na região

Da Reuters
14 de abril de 2021 às 08:05 | Atualizado 15 de abril de 2021 às 01:01

Nesta quarta-feira (14), a China descreveu seus exercícios militares perto de Taiwan como "exercícios de combate", aumentando a aposta enquanto ex-oficiais dos EUA chegam a Taipei em uma viagem para sinalizar o compromisso do presidente Joe Biden com Taiwan e sua democracia.

Taiwan reclamou da proximidade de repetidas atividades militares chinesas, incluindo caças e bombardeiros entrando em sua zona de defesa aérea e um porta-aviões chinês posicionado próximo à ilha.

Vinte e cinco aeronaves da força aérea chinesa, incluindo caças e bombardeiros com capacidade nuclear, entraram na zona de identificação de defesa aérea de Taiwan (ADIZ) na segunda-feira (12), a maior incursão relatada por Taipei até agora.

O Escritório de Assuntos de Taiwan da China disse que o governo de Taiwan e os separatistas estão em conluio com "forças externas".

"A organização de exercícios de combate reais pelo Exército de Libertação do Povo no Estreito de Taiwan é uma ação necessária para lidar com a atual situação de segurança na região e para salvaguardar a soberania nacional", disse o porta-voz Ma Xiaoguang.

"É uma resposta solene à interferência das forças externas e provocações pelas forças da independência de Taiwan", acrescentou.

"Os exercícios militares e operações de treinamento do PLA estão enviando um sinal de que nossa determinação em refrear a independência de Taiwan e o conluio Taiwan-EUA não é apenas conversa."

A China já havia feito alguns comentários públicos sobre seus recentes movimentos militares perto de Taiwan. O Ministério de Defesa se referia a eles apenas como "atividades militares" no final de janeiro.

Presidente dos EUA, Joe Biden, em Washington
Presidente dos EUA, Joe Biden, em Washington
Foto: Erin Scott/Reuters (2.abr.2021)

 

Os Estados Unidos, que como a maioria dos países apenas reconhecem oficialmente o governo da China e não de Taiwan, são, no entanto, o maior patrocinador internacional de Taipé e têm visto as tensões aumentarem com crescente alarme.

O ex-senador norte-americano Chris Dodd e os ex-vice-secretários de Estado Richard Armitage e James Steinberg chegaram à Taiwan na quarta-feira (14) em um jato particular não identificado, no que um funcionário da Casa Branca chamou de "sinal pessoal" do compromisso do presidente com Taiwan e sua democracia.

Eles devem se encontrar com o presidente de Taiwan, Tsai Ing-wen, na quinta-feira (15), em uma viagem que está afetando ainda mais as relações sino-americanas.

O porta-voz do gabinete presidencial de Taiwan, Xavier Chang, disse que a viagem "mais uma vez mostra que a relação Taiwan-EUA é sólida como uma rocha e é uma expressão completa do apoio de todos os partidos a Taiwan nos Estados Unidos".

Tsai disse repetidamente que Taiwan é um país independente da República da China, seu nome formal.

Ma, o porta-voz chinês, disse que o encontro das autoridades americanas com Tsai "só vai agravar a situação tensa no Estreito de Taiwan", e que não importa se está sendo considerada uma visita oficial ou não oficial.

"Nós nos opomos resolutamente ao exagero dos EUA do chamado argumento da 'ameaça militar chinesa' e nos opomos resolutamente aos EUA jogando a 'carta de Taiwan' e continuando a enviar sinais errados às forças de independência de Taiwan", acrescentou.

"A independência de Taiwan é um beco sem saída e o governante do Partido Democrata Progressista está tentando 'usar as armas para buscar a independência'", disse Ma.

"Isso é beber veneno na esperança de saciar a sede e só levará Taiwan ao desastre."