“Brasil não será protagonista dessa reunião", diz ex-BNDES sobre Cúpula do Clima

Mendonça de Barros acredita que, por conta do encontro entre EUA e China, as duas principais potências, a questão brasileira será colocada em segundo plano

Produzido por Jorge Fernando Rodrigues, da CNN, em São Paulo
21 de abril de 2021 às 16:17 | Atualizado 21 de abril de 2021 às 16:45

A Cúpula do Clima que vai ocorrer nesta quinta-feira (22) marca o início de novas negociações mundiais sobre metas climáticas para conter o avanço do aquecimento global e, apesar de o Brasil ser um dos pontos de discussão do encontro, deve ter sua presença ofuscada por Estados Unidos e China. As duas maiores economias do mundo são também as maiores emissoras de carbono na atmosfera.

“Brasil não é protagonista dessa reunião. A soma dos gigantes vai tornar a questão brasileira um assunto de menor importância,” disse à CNN o economista Luiz Carlos Mendonça de Barros. 

Na opinião do ex-presidente do BNDES, a Cúpula servirá para preparar o terreno para um encontro maior, marcado para o final de 2021.

“Essa cúpula vai preparar para uma reunião maior que vai acontecer em Glasgow, que será oficial e vai dar continuidade ao Acordo de Paris. Será uma reunião sobre o clima que contará novamente com a participação dos Estados Unidos com a China.”

 

O economista também critica a forma errática como vem sendo conduzida a questão climática no Brasil. “O governo Bolsonaro é contraditório. Tem um discurso para um público internacional e outro para o público local. Ele pode ter um problema interno ao mudar seu discurso ambiental em 180 graus em um evento global”.

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