Dia da Terra 2021: conheça projetos ambientais que ajudam a preservar o planeta

Tema deste ano é ‘Restaurar Nossa Terra’ e rejeita a noção de que mitigar e adaptar são as únicas maneiras de lidar com a mudança climática

Sana Noor Haq, CNN
22 de abril de 2021 às 11:17 | Atualizado 22 de abril de 2021 às 16:18
CNN Séries Originais
Episódio do CNN Séries Originais explora os conflitos por terra na região amazônica
Foto: CNN Brasil

À medida que o século 21 avança, a luta para proteger o planeta se torna cada vez mais urgente. No ano passado, incêndios florestais no Círculo Polar Ártico estabeleceram novos recordes de emissões de dióxido de carbono, a temporada de furacões no Atlântico foi mais forte do que nunca e chegamos ao final da década mais quente já registrada.

Um estudo recente que tenta quantificar os danos ambientais revelou que 97% da área terrestre da Terra pode não estar mais "ecologicamente intacta", resultando em populações animais reduzidas e perda de espécies.

Neste ano, o tema do Dia da Terra é "Restaurar Nossa Terra". Enquanto partes do mundo começam a se abrir após um ano de bloqueios provocados pela Covid-19, os organizadores do evento fazem um apelo à ação e destacam a importância do combate à destruição ambiental.

“O tema rejeita a noção de que mitigação ou adaptação são a única maneira de lidar com a mudança climática”, disse Dorceta E. Taylor, membra do conselho do Dia da Terra e importante socióloga ambientalista.

“Não podemos deixar para amanhã o que podemos fazer hoje”, ressalta. "Todos devem fazer sua parte."

Confira alguns projetos que atuam para salvar e restaurar a rica biodiversidade da Terra: 

Grous-coroados de Ruanda

Grous-coroados de Ruanda
Grous-coroados de Ruanda
Foto: Reprodução/CNN

Os grous-coroados de Ruanda eram capturados quando filhotes e mantidos como animais de estimação nos jardins de hotéis e residências e, com isso, quase foram extintos. 

A destruição de seu habitat para a agricultura aumentou a pressão e, em 2012, apenas cerca de 300 estavam na natureza. Os pássaros majestosos fizeram um retorno notável graças ao veterinário local e conservacionista Olivier Nsengimana, que liderou um programa que encorajava os proprietários a entregar os grous-coroados criados em ambientes domésticos. Mesmo com a iniciativa, essas aves ainda estão sob ameaça em outros países africanos. 

Papagaios-do-mar do Atlântico

Papagaios-do-mar do Atlântico
Papagaios-do-mar do Atlântico
Foto: Sthephan Kress

Já em Eastern Egg Rock, uma ilha desabitada da costa do Maine, nos Estados Unidos, a população de papagaios-do-mar do Atlântico quase foi extinta quando os caçadores chegaram no final do século 19. 

O ornitologista Stephen Kress encontrou as aves marinhas pela primeira vez há mais de 50 anos. Ao saber como elas estão ameaçadas, ele fundou o Projeto Puffin, uma iniciativa para trazê-los de volta ao estado da Nova Inglaterra. Graças aos esforços de Kress, quase 200 casais reprodutores agora nidificam na ilha. 

Parque Nacional Iberá, na Argentina

Parque Nacional Iberá, na Argentina
Parque Nacional Iberá, na Argentina
Foto: Harald Von Radebrecht/CNN

Kristine Tompkins, ex-CEO da empresa de roupas para atividades ao ar livre Patagonia, e seu falecido marido Doug (co-fundador da The North Face) fundaram a Tompinks Conservation para criar parques na América do Sul. 

Entre as iniciativas, está o Parque Nacional Iberá, no nordeste da Argentina. É o lar de cerca de 4 mil espécies de plantas e animais e, quando combinado com o vizinho Parque Provincial Iberá, cobre cerca de 1,76 milhões de hectares, tonando-se a maior área protegida do país. 

Preservação do pirarucu

pirarucu
A importância da preservação do pirarucu
Foto: CNN

O pirarucu é um dos maiores peixes de água doce do mundo, capaz de crescer três de comprimento e pesar 200 quilos. 

A pesca excessiva levou ao declínio da população na bacia do Rio Amazonas, mas duas décadas de trabalho de conservacionistas e comunidades locais ajudaram a estabelecer pescarias bem administradas, o que salvou a espécie e gerou uma renda sustentável para a população local.

O bisão da América do Norte

Bisão da América do Norte
O bisão da América do Norte
Foto: CNN

Nos Estados Unidos, menos de 15% da pradaria de Tallgrass está intacta, a maior parte foi convertida em terras agrícolas ou perdida para o desenvolvimento. Enquanto trabalham para reviver essa paisagem icônica, os conservacionistas procuram ajuda de um aliado extraordinariamente peludo: o bisão. 

Até 30 milhões de bisões pastavam nas áreas selvagens da América do Norte, mas no século 20 eles foram quase extintos. A organização internacional The Nature Conservancy reintroduziu mais de 100 bisões em Nachusa Grasslands, em Illinois. O projeto também incentiva o crescimento de flores silvestres e ajuda espécies animais nativas a prosperar. 

Fazenda restaurada em prol do meio ambiente

Porcos Tamworth
Porcos Tamworth
Foto: Reprodução/CNN

Em 2001, o casal Charlie Burrell e Isabella Tree decidiram restaurar a fazenda onde moravam, no sul da Inglaterra. Ao “reconstruir” a terra, eles permitiram que campos aráveis crescessem em matagais emaranhados e pastagens acidentadas, e introduziram grandes mamíferos, como porcos Tamworth, pôneis Exmoor, gado Longhorn e cervos vermelhos. A propriedade agora abriga uma grande biodiversidade e se tornou um exemplo de sucesso de conservação. 

Turfeiras da Escócia

Turfeiras da Escócia
Turfeiras da Escócia
Foto: Reprodução/CNN

As turfeiras alagadas constituem um quinto da paisagem escocesa e armazenam cerca de 1,6 bilhão de toneladas métricas de carbono – o equivalente a mais de 140 anos de emissões de gases de efeito estufa no país. Cerca de 80% das turfeiras foram degradadas por atividades que incluem pastoreio pesado e drenagem do solo para agricultura e silvicultura. 

O projeto Peatland Action trabalha para restaurá-las, e 150 quilômetros quadrados de turfeiras danificadas foram recuperadas desde 2012. No ano passado, o governo escocês anunciou que iria investir £ 250 milhões (R$ 1,7 bilhão) na restauração de turfeiras ao longo dos próximos 10 anos, com o objetivo de restaurar 1.550 quilômetros quadrados. 

Combate ao tráfico de ovos de tartarugas

Tartaruga-oliva
A tartaruga-oliva tem sido vítima de crimes contra a vida selvagem
Foto: Reprodução/CNN

 A tartaruga-oliva é a tartaruga marinha mais abundante, mas também corre o risco de ser vítima de crimes contra a vida selvagem. Paso Pacífico, um grupo conservacionista com sede nos Estados Unidos que trabalha na América Central, estima que os caçadores ilegais destroem 90% dos ninhos de tartarugas marinhas em muitas das praias desprotegidas da América Central para vender ovos ao comércio ilegal de animais. 

Cientistas da Paso Pacífico desenvolveram ovos chamarizes equipados com um cartão SIM e um transmissor GPS. Eles são colocados nos ninhos das tartarugas para rastrear ovos roubados e combater o tráfico. 

Reversão do desmatamento na Colômbia

Florestas restauradas na Colômbia
Na Colômbia, os agricultores ajudam a salvar as florestas ao praticarem silvicultura sustentável e proteção ambiental
Foto: CNN

Três quartos da Costa Rica já foram cobertos por uma exuberante floresta tropical, mas o corte excessivo de árvores destruiu entre um terço e a metade da floresta em 1987. 

No entanto, uma iniciativa do governo que recompensa os agricultores por praticarem silvicultura sustentável e proteção ambiental tornou a Costa Rica o primeiro país tropical a parar e reverter o desmatamento. Com 60% das terras novamente florestadas, ela agora abriga cerca de meio milhão de espécies de plantas e animais. 

(Esse texto é uma tradução. Para ler o original, em inglês, clique aqui)