Ação contra mudança climática fortalecerá economia, diz Biden ao encerrar Cúpula

Presidente dos EUA diz que investimento na resiliência climática e infraestrutura trará oportunidade e será ponto central de seu plano de criação de empregos

Murillo Ferrari e Weslley Galzo, da CNN, em São Paulo
23 de abril de 2021 às 11:11 | Atualizado 23 de abril de 2021 às 13:06

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, encerrou a Cúpula de Líderes sobre o Clima nesta sexta-feira (23) com a mensagem de que o enfrentamento das mudanças climáticas permitirá a criação de novos empregos ao redor do mundo, tanto na modernização da infraestrutura já existente quanto em áreas que ainda nem foram imaginadas.

“A sessão final de hoje [da cúpula] é sobre as oportunidades fornecidas pelo enfrentamento das mudanças climáticas. A oportunidade de criar milhões de empregos com bons salários ao redor do mundo, em setores inovadores”, disse Biden no segundo dia da Cúpula de Líderes sobre o Clima organizada pelos EUA.

"As nações que trabalham juntas para investir em uma economia mais limpa colherão as recompensas para seus cidadãos. Os EUA estão comprometidos, estamos empenhados em fazer esses investimentos para fazer nossa economia crescer aqui em casa, ao mesmo tempo em que nos conectamos com mercados em todo o mundo."

Biden afirmou que os compromissos assumidos na véspera por ele e por líderes de países como Reino Unido, Canadá e Japão, entre outros, de ampliar suas metas de redução de emissão de carbono são progressos importantes para começar a enfrentar as mudanças climáticas, que ele considerou uma "ameaça existencial" para a humanidade.

"Este encontro é o começo de um caminho que nos levará para Glasgow, ao encontro da ONU sobre as mudanças climáticas, em novembro, onde tornaremos esses compromissos reais e colocaremos nossas nações em um caminho de um futuro seguro e sustentável", afirmou.

Ele disse ainda que todos os países que se comprometerem com esse novo futuro terão que investir em inovação, já que não existe uma única tecnologia que, sozinha, possa responder a esses desafios.

"Quando investimos na resiliência climática e em infraestrutura, criamos oportunidade para todos. Isso está no centro do plano de empregos que eu proponho para os EUA", declarou.

Biden destacou ainda parcerias em setores-chave que os EUA já firmaram para a descarbonização de setores produtivos.

"No setor industrial, nos juntaremos à Suécia, Índia em um grupo de líderes para a transição da indústria. No setor de energia, trabalharemos com o Reino Unido para acelerar o progresso no sentido de um sistema sem emissão de carbono. E no setor da agricultura, lançaremos uma missão de inovação para o clima, com os Emirados Árabes Unidos e outros parceiros", detalhou.

O presidente norte-americano também disse que ficou animado com o apelo do presidente russo, Vladimir Putin, por esforços colaborativos na diminuição da emissão de dióxido de carbono para combater as mudanças climáticas, e que espera cooperar com a Rússia nesse tema.

Assim como Putin, os primeiro-ministros do Japão e do Canadá receberam elogios de Joe Biden por seus comprometimentos com a redução de emissões em 45% até 2030. Lideranças da Europa e América do Sul também foram prestigiadas pelos esforços divulgados. 

"Metade das economias do mundo estão comprometidas a começar a agir, que é o que nos precisamos para limitar o aquecimento em 1,5º C", afirmou.

Em seu discurso de encerramento, Biden avaliou positivamente as propostas e compromissos criados durante a Cúpula. Ele garantiu que a meta de redução das emissões em 50% até 2050, nos Estados Unidos, serão alcançadas a partir do investimento em "nos trabalhadores americanos, nos empregos americanos, na infraestrutura americana e construindo uma economia mais forte e resiliente".

Joe Biden na  Cúpula de Líderes sobre o Clima
O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, abriu a Cúpula de Líderes sobre o Clima
Foto: Reprodução/CNN Brasil