Japão amplia estado de emergência para mais três prefeituras

Declaração ocorre no momento em que o Japão enfrenta uma onda de uma cepa de vírus mais infecciosa, a apenas 10 semanas antes do início da Olimpíada

Chang-Ran Kim, da Reuters, em Tóquio
14 de maio de 2021 às 12:53
Logo da Olimpíada Tóquio 2020
Logo da Olimpíada Tóquio 2020
Foto: ´Issei Kato/Reuters

O Japão está declarando estado de emergência em mais três prefeituras duramente atingidas pela pandemia de Covid-19, disse o governo na sexta-feira (14), em um movimento surpresa que reflete a crescente preocupação com a disseminação do coronavírus.

A última declaração ocorre no momento em que o Japão enfrenta uma onda de uma cepa de vírus mais infecciosa, a apenas 10 semanas antes do início das Olimpíadas de Tóquio, em 23 de julho.

Hokkaido, Okayama e Hiroshima se juntarão a Tóquio, Osaka e outras quatro prefeituras no domingo (16) sob estado de emergência até 31 de maio, disse o ministro da Economia, Yasutoshi Nishimura, que também é responsável pelas medidas contra o vírus.

De olho na economia, o governo havia proposto originalmente uma declaração de "quase emergência" mais direcionada para cinco prefeituras adicionais.

"Os especialistas nos disseram que uma mensagem forte tinha que ser enviada ao público, dada a situação crítica com as cepas mutantes", disse Nishimura ao parlamento, explicando a decisão.

As medidas menos rigorosas serão ampliadas para três prefeituras, conforme planejado.

As medidas mais recentes colocam 19 das 47 prefeituras do Japão, que abrigam cerca de 70% da população, sob restrições, como o prazo de fechamento de restaurantes às 20h e a proibição do álcool na maioria dos bares e restaurantes.

O Dai-ichi Life Research Institute estimou que o estado de emergência em nove prefeituras poderia cortar cerca de 1 trilhão de ienes (US $ 9,1 bilhões) do produto interno bruto e cortar 57.000 empregos nos próximos meses.

Na sexta-feira, uma pesquisa da Reuters mostrou que a economia cresceria muito mais lentamente do que o esperado anteriormente neste trimestre, prejudicada por restrições de emergência.

Especialistas dizem que os recursos médicos estão sendo empurrados para o limite, enquanto a campanha de vacinação do Japão tem sido a mais lenta entre as nações avançadas, com apenas 3% da população vacinada, de acordo com dados da Reuters.

A popularidade do primeiro-ministro Yoshihide Suga foi atingida pelo que muitos consideram a resposta inadequada de seu governo ao vírus. Uma nova pesquisa do Jiji News colocou o índice de aprovação do gabinete em 32,2%, 4,4 pontos abaixo da pesquisa anterior.

Oposição olímpica

A prefeitura de Hokkaido, no norte da ilha, que sediará a maratona, relatou um recorde de 712 casos na quinta-feira (13). A contagem de infecções no Japão é de cerca de 656.000, com 11.161 mortes, e Tóquio, a capital, relatou 854 novos casos na sexta-feira.

O estado de emergência em Tóquio e em outros lugares duraria este mês, faltando menos de dois meses para as Olimpíadas.

A oposição pública aos Jogos de Verão, já adiada para um ano de 2020 por causa da pandemia global, persistiu.

Uma petição da change.org para cancelamento das Olimpíadas acumulou mais de 350.000 assinaturas em apenas nove dias, um ritmo recorde para a versão japonesa do fórum, disse o organizador da campanha.

Foi submetido aos chefes dos comitês olímpico e paralímpico, bem como à governadora de Tóquio, Yuriko Koike.

Em uma expressão rara e contundente de apreensão de um empresário de alto nível, o presidente-executivo do SoftBank Group Corp, Masayoshi Son, disse que estava "com medo" de realizar os Jogos, temendo tanto pelo Japão quanto pelos países que enviam atletas.

Nishimura repetiu a posição do governo de que faria todo o possível para conter a pandemia para poder realizar Jogos "seguros e protegidos".

($ 1 = 109,5100 ienes).