Suu Kyi comparece a tribunal de Mianmar pela primeira vez desde golpe militar

Líder deposta diz que não tem acesso a jornais na detenção e que só está parcialmente ciente do que está acontecendo do lado de fora

Reuters
24 de maio de 2021 às 12:23
 Aung San Suu Kyi
Ganhadora do Nobel da Paz e líder deposta em golpe militar em Mianmar, Aung San Suu Kyi
Foto: Franck Robichon/Pool via Reuters

A líder deposta de Mianmar, Aung San Suu Kyi, compareceu pessoalmente a uma audiência de um tribunal nesta segunda-feira (24) pela primeira vez desde que seu governo foi deposto pelos militares quase quatro meses atrás, disseram seus advogados.

Suu Kyi parecia com boa saúde durante a reunião de 30 minutos com sua equipe legal, mas disse que não tem acesso a jornais na detenção e que só está parcialmente ciente do que está acontecendo do lado de fora, disse Khin Maung Zaw, líder sua equipe legal, à Reuters.

A líder deposta de 75 anos, que recebeu o Prêmio Nobel da Paz em 1991 por seus esforços para instaurar a democracia, é uma da mais de 4 mil pessoas detidas desde o golpe de 1º de fevereiro. Ela enfrenta acusações que vão da posse ilegal de rádios walkie-talkie à violação de uma lei de segredos estatais, puníveis com 14 anos de prisão.

Mianmar vive um caos desde que o Exército tomou o poder, com protestos diários, marchas e greves de âmbito nacional contra a junta – que reage com força letal, já tendo matado mais de 800 pessoas, de acordo com a a Associação de Assistência a Prisioneiros Políticos (AAPP).

Manifestante segura arma feita com canos durante protesto em Mianmar
Manifestante segura arma feita com canos durante protesto em Mianmar
Manifestante segura arma caseira feita com canos durante protesto contra golpe militar em MianmarCrédito: Stringer/Reuters (3.abr.2021)
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Suu Kyi "desejou saúde ao povo" na reunião com seus advogados, e também se referiu ao seu partido Liga Nacional pela Democracia (NLD), que pode ser dissolvido em breve.

"Nosso partido surgiu do povo, por isso existirá enquanto o povo o apoiar", disse ela, segundo Khin Maung Zaw.

A comissão eleitoral indicada pela junta de Mianmar dissolverá a NLD, alegando uma fraude eleitoral na eleição de novembro, noticiou a mídia local na sexta-feira (22) citando um comissário. A antiga comissão eleitoral rejeitou as acusações.