Busca pela origem da Covid-19 se torna operação de inteligência para os EUA

Após ordem de Biden, órgãos de inteligência investigam se vírus surgiu do contato humano com animais infectados ou se é resultado de acidente em laboratório

Zachary B. Wolf, CNN
27 de maio de 2021 às 09:04 | Atualizado 27 de maio de 2021 às 13:36
Covid-19 na China
Médico se prepara para entrar na zona de isolamento da Covid-19 em Wuhan, em fevereiro de 2020
Foto: Feature China/Barcroft Media via Getty Images

O presidente Joe Biden ordenou uma resposta final em até 90 dias pela comunidade de inteligência dos Estados Unidos sobre as origens da Covid-19. Não se trata de uma investigação científica, mas sim uma operação de inteligência.

Biden quer que a comunidade de inteligência coopere com outros elementos do governo, e que também se chegue a respostas mais aprofundados sobre como essa doença ocorreu, pelo menos aos olhos do presidente que está lidando com a obstrução da China – agora é uma operação totalmente focada em inteligência. 

A ordem provavelmente representa um desafio complicado para as agências de inteligência, que, como a CNN relatou repetidamente, são limitadas em sua capacidade de responder com segurança à pergunta sobre o que realmente aconteceu. Embora a comunidade de inteligência esteja ativamente engajada na questão. A ordem de Biden é um apelo público por mais informações, apesar do fato de que não foi capaz de fazer progressos significativos por mais de um ano.

Os dois cenários mais prováveis avaliados pelas agências de inteligência são:

  • Que a doença ocorreu naturalmente e passou de animais para humanos, como a China insiste e muitos cientistas acham que é mais provável.
  • Que resultou de algum tipo de acidente de laboratório, que não pode ser descartado, já que a China se recusou a dar transparência total.

Portanto, é a CIA, não os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos, que o governo está procurando. 

Os cientistas, que foram inflexíveis um ano atrás que a teoria do laboratório era extremamente improvável, agora dizem que é preciso explorar mais. E isso teria causada a mudança de postura diante das conclusões até então reveladas. 

Embora os profissionais de inteligência tenham sido mais cautelosos ao caracterizar suas próprias descobertas, a falta de progresso aparente no último ano deve moderar as expectativas, especialmente considerando que a China está desinteressada ou não está disposta a ajudar qualquer esforço voltado para a descoberta da verdade.

Ainda assim, Biden deixou esse desafio aos profissionais de inteligência, dizendo em um comunicado que já havia obtido uma revisão de seu principal assessor de Segurança Nacional, Jake Sullivan, do que o governo sabe até agora, e que uma investigação adicional é necessária.

Um dos elementos que Biden deseja da comunidade de inteligência dos EUA são perguntas que a China deve responder.

(Esse texto é uma tradução. Para ler o original, em inglês, clique aqui)