Bolsonaro diz que Mercosul precisa deixar de ser 'sinônimo de ineficiência'

Presidente criticou gestão argentina do bloco durante discurso nesta quinta-feira (8) na 58ª Cúpula do Mercosul

Matheus Prado, da CNN, em São Paulo*
08 de julho de 2021 às 12:40 | Atualizado 08 de julho de 2021 às 12:41
Presidente Jair Bolsonaro
Presidente Jair Bolsonaro
Foto: Isac Nóbrega/Presidência da República/Divulgação

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) disse, em discurso nesta quinta-feira (8) durante reunião na 58ª Cúpula do Mercosul, que o bloco precisa mudar e deixar de ser visto como "sinônimo de ineficiência". O Brasil assumiu a presidência pró-tempore do órgão até o final de 2021.

Durante sua fala, o mandatário brasileiro criticou a última gestão do Mercosul, comandada pela Argentina e seu presidente Alberto Fernández, e afirmou que o bloco não conseguiu avançar nas suas principais pautas: "a redução da Tarifa Externa Comum e a flexibilização de acordos comerciais com parceiros externos".

Em reunião ministerial realizada nesta quarta-feira (7), Brasil e Argentina já não haviam conseguido chegar a um consenso sobre a redução das tarifas de importação do Mercosul. Com isso, o Uruguai anunciou que vai negociar por conta própria acordos bilaterais com outros países. 

A proposta brasileira defende uma redução de 10% das alíquotas da Tarifa Externa Comum (TEC). Já os argentinos fizeram uma contraproposta pedindo a exclusão de um quarto dos produtos que faz parte da TEC.

A abertura econômica é uma promessa de campanha do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e do ministro da Economia Paulo Guedes. Para reduzir custos e elevar a produtividade, o Brasil chegou a sugerir um corte de 50% das alíquotas de importação, mas a Argentina não concordou. 

Bolsonaro disse que quer utilizar sua presidência para que o Mercosul promova a liberdade e prosperidade dos povos locais. "O Brasil tem pressa, temos sede por resultados. Precisamos lançar novas negociações, resolver as pendentes, diminuir tarifas. Queremos uma economia mais arejada e integrada ao mundo", diz.

"A persistência de impasses e o uso da regra do consenso como instrumento de veto e o apego a visões arcaicas com viés defensivo só servirão para criar ceticismo e dúvidas sobre o potencial do bloco. O Brasil não vai parar nos esforços de modernizar sua economia e queremos que os nossos sócios de integração sejam parceiros nessa caminhada."

O presidente do Brasil afirmou ainda que, com o avanço da vacinação em massa da população, espera poder receber os outros líderes do continente presencialmente na próxima Cúpula, que ocorre no final do ano. 

*Com informações de Raquel Landim