Polícia prende seis suspeitos do assassinato do presidente do Haiti

As autoridades continuam à procura com os mentores da operação, disse o chefe de polícia Leon Charles

Andre Paultre, da Reuters*
08 de julho de 2021 às 15:18 | Atualizado 09 de julho de 2021 às 01:17

 

A polícia haitiana prendeu seis dos homens suspeitos de terem participado do assassinato do presidente Jovenel Moise na quarta-feira (7). 

As autoridades continuam à procura com os mentores da operação, disse o chefe de polícia Leon Charles em uma entrevista coletiva na quinta-feira.

Charles apelou à população para que coopere com as forças de segurança e não cause distúrbios, depois que uma multidão se formou em frente a uma delegacia de polícia na capital Porto Príncipe, onde os suspeitos estavam detidos.

Aqui está o que já se sabe:

A primeira-dama haitiana Martine Moise foi baleada e ferida no ataque, depois foi levada para Miami para tratamento. Sua condição é descrita como estável, mas crítica.

Os agressores não foram capturados e ninguém assumiu a responsabilidade, mas o embaixador do Haiti nos Estados Unidos, Bocchit Edmond, disse que os assassinos eram "bem treinados" e considerados "mercenários".

Os EUA negam que os agressores sejam agentes da Drug Enforcement Administration, depois que um vídeo da cena mostrou os agressores se apresentando como tais.

Os líderes mundiais condenaram o assassinato e estão pedindo unidade após o ataque, com o Conselho de Segurança da ONU previsto para se reunir na quinta-feira.

O Haiti declarou o "estado de sítio" pelos próximos 15 dias, o que significa que todas as fronteiras foram fechadas e a lei marcial foi temporariamente imposta, com os militares haitianos e a Polícia Nacional do Haiti (HNP) com poderes para fazer cumprir a lei.

Duas semanas de luto nacional foram convocadas em homenagem a Moise, que deve começar quinta-feira e terminar em 22 de julho.

O ataque ocorre em meio a um cenário de instabilidade política, com muitos papéis importantes no governo do país já vazios e o parlamento efetivamente extinto. O movimento de oposição do país há muito clama pela renúncia de Moise.

A futura liderança do país ainda não está clara. Moise acabara de nomear um novo primeiro-ministro, o neurocirurgião Ariel Henry, em 5 de julho. No entanto, é seu antecessor - o primeiro-ministro em exercício Claude Joseph - quem assumiu o controle do país após a morte do presidente.

A violência criminal aumentou na capital, Porto Príncipe, no mês de junho, incluindo ataques à polícia e incêndios criminosos em casas de civis. Mais de 10.000 pessoas fugiram para abrigos temporários. O país também foi abalado por uma onda de sequestros no início deste ano.

*Com CNN

Jovenel Moïse, presidente do Haiti que foi assassinado
Foto: Twitter/ Reprodução