25 cidades emitem 52% dos gases de efeito estufa no mundo, diz estudo

Destas, 23 estão na China, seguido de Moscou e Tóquio, segundo levantamento de pesquisadores

Emma Rumney, da Reuters em Madri
12 de julho de 2021 às 10:58 | Atualizado 12 de julho de 2021 às 11:08
Fábricas soltando fumaça na atmosfera
Fumaça de chaminés em Moscou, Rússia.
Foto: REUTERS/Maxim Shemetov

Apenas 25 grandes cidades - quase todas na China - foram responsáveis por mais da metade dos gases relacionados ao aquecimento global lançados em uma amostra de 167 centros urbanos ao redor do mundo, segundo uma análise de emissões apresentada nesta segunda-feira (12).

Em termos per capita, no entanto, as emissões das cidades mais ricas do mundo ainda são geralmente maiores do que as dos centros urbanos dos países em desenvolvimento, segundo os pesquisadores do estudo publicado na revista Frontiers in Sustainable Cities.

 O estudo comparou as emissões de gases de efeito estufa relatadas em 167 cidades de 53 países e descobriu que 23 cidades chinesas - entre elas Xangai, Pequim e Handan - junto com Moscou e Tóquio responderam por 52% do total das emissões.

Na lista, há ainda mais cidades da China, Índia, Estados Unidos e países da União Europeia, devido à maior contribuição nas emissões globais e a importância deles para o debate climático.

As descobertas destacam o papel significativo que as cidades desempenham na redução das emissões, disse o co-autor do estudo Shaoqing Chen, cientista ambiental da Universidade Sun Yat-sen, na cidade de Guangzhou, no sul da China. "É simples, lógico", disse ele. “Se você não agir, acabará sofrendo (com as mudanças climáticas)”, disse ele.

As temperaturas globais médias já aumentaram em mais de 1 grau celsius em comparação com a o período pré-industrial e ainda estão em vias de exceder o limite de 1,5 a 2 graus estabelecido pelo Acordo de Paris.

Chen e outros cientistas alertaram, no entanto, que alguns dos dados disponíveis para uso em seu estudo estão desatualizados, já que algumas cidades relataram números de 2005.

A falta de consistência na forma como as cidades relatam as emissões também torna as comparações complicadas, acrescentaram.

Progressos são vistos nos EUA e Europa

Pesquisa publicada em 2018 no jornal Environmental Research Letters analisou uma amostra muito maior de 13.000 cidades, grandes e pequenas, descobrindo que 100 cidades continham 11% da população mundial e geraram 18% de pegada de carbono – emissão de carbono emitida na atmosfera por pessoa.

Ainda assim, a nova análise "contribui para a crescente literatura e nossa compreensão das emissões urbanas", disse Karen Seto, professora de Geografia e Ciências Urbanas da Universidade de Yale, co-autora do artigo de 2018.

"É realmente difícil comparar maçãs com maçãs nas emissões de gases de efeito estufa na cidade, mas você tem que tentar, e o artigo faz um esforço muito bom neste sentido", acrescentou Dan Hoornweg, professor da Ontario Tech University e ex-conselheiro do Banco Mundial para cidades sustentáveis e mudanças climáticas.

Chen disse que a nova análise foi a primeira a examinar as metas de redução de emissões das megacidades e o progresso no corte.

Sessenta e oito das cidades - principalmente em nações desenvolvidas - estabeleceram metas absolutas de redução de emissões.

Mas apenas 30 das 42 cidades onde o progresso foi monitorado no estudo mostraram uma redução. A maioria delas estava nos Estados Unidos e na Europa.

A análise confirma as expectativas dos cientistas de que, enquanto na China as cidades com altas emissões per capita são geralmente grandes centros de manufatura, as das nações desenvolvidas com as taxas per capita mais altas tendem a ter níveis elevados de consumo.

Embora economias mais desenvolvidas na Europa e em outros lugares possam agora crescer sem aumentar as emissões, o mundo está se movendo em velocidades diferentes, disse Hoornweg.

"Eles geraram uma tonelada de emissões no caminho para chegar lá e a China está nesse estágio agora. Sabemos que a Índia está chegando lá em algum momento e o último grande impulso em tudo isso será a África", disse ele.

*Reportagem adicional de Kanupriya Kapoor em Cingapura; Edição de Katy Daigle e Helen Popper.