Primeira-dama do Haiti volta ao país com colete à prova de balas

Martine Moise foi tratada em Miami após ter sido ferida em atentado que tirou a vida do presidente haitiano Jovenel Moise

Andre Paultre, da Reuters*
18 de julho de 2021 às 17:53
Primeira-dama do Haiti, Martine Moise
Primeira-dama do Haiti, Martine Moise, retorna ao país após atentado que tirou a vida do presidente Jovenel Moise
Foto: Reprodução/Reuters

Martine Moise, a viúva do presidente haitiano Jovenel Moise, retornou ao país do Caribe no sábado (17) para o funeral do esposo após ter passado por um tratamento em Miami, nos Estados Unidos, para os ferimentos causados pelo atentado do dia 7 de julho.

Jovenel Moise foi assassinado a tiros após os autores do crime invadirem sua casa na serra de Porto Príncipe, o que levou o país para um cenário de incertezas e suscitou uma investigação frenética para identificar os articuladores do plano.

O escritório do primeiro-ministro haitiano publicou um vídeo no Twitter em que Martine Moise retorna ao Aeroporto Internacional Toussaint Louverture, na capital do país, vestindo preto e com um colete à prova de balas, e com um gesso em seu braço direito. Ela foi recepcionada por Claude Joseph, o premiê do Haiti.

Martine Moise escreveu na mesma rede no início desta semana, enquanto ainda estava em Miami, que ela ainda estava tentando compreender o assassinato do marido. Ela agradeceu "um time de anjos da guarda" que a "ajudou nesses tempos terríveis". 

No sábado, o importante Grupo Core de embaixadores e representantes internacionais e afirmou, em nota, que havia a necessidade urgente "da formação de um governo consensual e inclusivo" no Haiti.

"Para que isso acabe, nós fortemente encorajamos o primeiro-ministro designado Ariel Henry a continuar a missão confiada a ele de formar tal governo", afirmou o grupo. Henry, que foi designado por Moise como primeiro-ministro pouco antes de morrer, ainda não assumiu a posição e o país continua sendo governado por Claude Joseph.

O Grupo Core é formado por embaixadores da Alemanha, Brasil, Canada, Espanha, Estados Unidos, França, União Europeia e representantes especiais das Nações Unidas e da Organização dos Estados Americanos.

"Enquanto o Haiti encara sérios perigos, os membros do grupo expressam seu desejo de que todos os atores políticos, econômicos e a sociedade civil do país colaborem com as autoridades em seus esforços de restaurar a segurança no país", afirmaram.

O grupo também pediu pela organização de "livres, justas, transparentes e críveis eleições presidenciais e legislativas o mais rápido possível".

O senador de oposição Patrice Dumont, um dos únicos 10 legisladores entre um grupo de 30 senadores usualmente eleitos, afirmou na quinta-feira que eleições justas podem não acontecer no país devido à influência de gangues violentas e de um conselho eleitoral comprometido.

Na sexta, um chefe de polícia colombiano afirmou que o assassinato pode ter sido encomendado por um antigo ministro da Justiça haitiano, citando uma investigação preliminar que envolveu haitianos radicados nos Estados Unidos e antigos soldados colombianos.

 *Colaboraram Adam Jourdan em Buenos Aires e Anthony Esposito na Cidade do México; Edição de Daniel Wallis