Presidente interino do Mali sofre tentativa de esfaqueamento durante celebração

Incidente aconteceu nesta terça-feira (20), durante orações na Grande Mesquita na capital Bamako, que marcam a celebração muçulmana de Eid al-Adha

Sharon Braithwaite e Sarah Diab, da CNN, e Reuters
20 de julho de 2021 às 11:34
Coronel Assimi Goita
Coronel Assimi Goita em coletiva de imprensa durante a cerimônia do 60º aniversário da independência do Mali em Bamako, em 22 de setembro de 2020.
Foto: Michele Cattani/AFP/Getty Images

O presidente interino do Mali, Assimi Goita, foi alvo de uma tentativa de esfaqueamento nesta terça-feira (20), segundo comunicado do governo.

O incidente aconteceu durante orações na Grande Mesquita na capital Bamako que marcam a celebração muçulmana de Eid al-Adha.

"Tentativa de esfaqueamento contra o Presidente de Transição, Coronel Assimi Goita na Grande Mesquita de Bamako. O autor foi imediatamente rendido por segurança. As investigações estão em andamento", disse, a presidência em um comunicado publicado em sua conta oficial no Twitter.

O coronel Assimi Goita - líder de dois golpes em nove meses no Mali - foi empossado como presidente interino em 7 de junho.

Goita foi, inicialmente, vice-presidente interino após liderar o golpe em agosto de 2020, que derrubou o presidente Ibrahim Boubacar Keita.

Em maio, ele ordenou a prisão do presidente Bah Ndaw e do primeiro-ministro Moctar Ouane, que logo renunciou enquanto estava detido. Os dois foram soltos posteriormente. No mesmo mês, o tribunal constitucional do Mali declarou Goita como o novo presidente interino.

O tribunal disse, em sua decisão, que Goita deveria preencher a vaga deixada pela renúncia de Ndaw "para conduzir o processo de transição à sua conclusão" e receber o título de "presidente da transição, chefe de estado".

A decisão colocou o Mali em rota de colisão com os 15 membros da Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), que insistiu que a transição, que deve terminar com as eleições em fevereiro, permaneça liderada por civis. A União Africana (UA) também suspendeu o país da África Ocidental em resposta ao golpe militar.

A União Africana apelou a "um retorno desimpedido, transparente e rápido à transição liderada por civis [...] do contrário, o Conselho não hesitará em impor sanções específicas", afirmou o Conselho de Paz e Segurança da União Africana.

Os vizinhos do Mali e as potências internacionais temem que a revolta coloque em risco o compromisso de realizar uma eleição presidencial em fevereiro e prejudique a luta regional contra militantes islâmicos, alguns dos quais estão alocados no deserto do norte de Mali.

Texto traduzido, leia o original em inglês.