Geração Z leva frustração para as urnas nos EUA

Na última sondagem para a CNN, feita entre os dias 23 e 26 de outubro, os jovens de 18 a 34 anos eram o grupo mais favorável ao democrata Joe Biden

Lourival Sant'Anna
Por Lourival Sant'Anna, CNN  
31 de outubro de 2020 às 19:26

Um em cada 10 americanos com direito a voto neste ano pertence à chamada geração Z — nascidos depois de 1996. São 24 milhões de jovens em idade de votar, com 18 a 23 anos. Os dados são do Pew Research Center (PRC). Essa é potencialmente uma das piores notícias para o presidente Donald Trump.

Os jovens americanos tradicionalmente não comparecem muito às urnas, mas, como quase tudo neste ano, isso também está sendo muito diferente. Em pesquisa realizada pelo instituto SSRS para a CNN entre os dias 1 a 4 de outubro, 51% dos eleitores registrados com idade entre 18 e 34 anos se disseram “extremamente" ou “muito" entusiasmados para votar. Em 2016, esse índice era de apenas 30%.

Na última sondagem para a CNN, feita entre os dias 23 e 26 de outubro, os jovens de 18 a 34 anos são o grupo mais favorável ao democrata Joe Biden, com 68%, contra 30% para Trump. A faixa de 35 a 49 anos é a única em que Trump está na frente de Biden, por 48% a 47%. De 50 a 64 anos, 49% preferem Biden e 47%, Trump. Os eleitores de 65 anos ou mais formam o segundo grupo mais pró-Biden, por 55% a 44%. No conjunto da população, a pesquisa confere 54% para Biden e 42% para Trump.

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Em janeiro, portanto antes da pandemia, que prejudicou o apoio do eleitorado idoso a Trump, os jovens da geração Z já rejeitavam Trump em sua maioria, segundo pesquisa PRC. Entre os eleitores registrados com idades de 18 a 23 anos, 77% desaprovavam a gestão do presidente e apenas 22% a aprovavam. O nível de aprovação subia junto com a idade dos entrevistados: 32% entre os millennials (24 a 39 anos de idade), 42% da geração X (40 a 55 anos) e 48% dos baby boomers (56 a 74  anos).

Os pesquisadores do Pew explicam que, diferentemente dos millennials, que chegaram à idade adulta na crise de 2008, a geração Z esperava encontrar um mercado de trabalho aquecido. Metade dos americanos com 18 a 23 anos diz que ele ou alguém de sua família perdeu emprego ou renda por causa da pandemia. Conforme a idade aumenta, esse percentual diminui: 40% dos millennials, 36% da geração X e 25% dos baby boomers. 

Para quem está na faculdade ou terminou o ensino médio e não continuará estudando, as principais opções de emprego são nos setores do varejo e serviços, como lojas de roupas e calçados, academias de ginástica e restaurantes, por exemplo. Dos 19,3 milhões de trabalhadores americanos com idade entre 16 e 24 anos, 9,2 milhões trabalhavam nesses setores, segundo o PRC. Os jovens ocupam 24% de todas as vagas neles. E foram setores muito atingidos pelo coronavírus. Os que trabalham neles ficaram muito expostos à infecção, ou ao desemprego. São trabalhos que não se fazem de casa.

A geração Z é a mais diversa e a mais instruída: 48% são não-brancos, enquanto entre os millennials são 39%, na geração X, 30%, e entre os baby boomers, 18%. Entre os jovens da geração Z que já chegaram à idade de cursar o ensino superior, 59% estão na universidade; entre os millennials, os que fazem ou fizeram faculdade são 53%; na geração X, 44%; entre os baby boomers, o dado não está disponível. 

Assim como os millennials, a geração Z é "progressista" e favorável a uma maior intervenção do poder público, segundo relatório de uma pesquisa do PRC. Eles veem com bons olhos o aumento da diversidade racial e estão menos propensos a considerar os Estados Unidos superiores a outros países. Nada disso favorece o presidente Trump.