Evidências enfraquecem tese da campanha de Trump sobre votos de pessoas mortas

Grupo alega que as identidades de quatro indivíduos mortos foram usadas para votar no estado da Geórgia

Holmes Lybrand e Tara Subramaniam, da CNN
13 de novembro de 2020 às 10:21
O atual presidente dos EUA, Donald Trump, em Washington
Foto: Carlos Barria - 07.nov.2020 / Reuters

A CNN e outros veículos de imprensa, incluindo a Fox News, projetaram a vitória do democrata Joe Biden nas eleições presidenciais dos Estados Unidos. Mas o presidente republicano Donald Trump e aliados continuam defendendo a tese de que os resultados foram, de alguma forma, fraudados. 

Na quarta-feira (11), a campanha de Trump alegou que as identidades de quatro pessoas mortas foram usadas para votar no estado da Geórgia. O grupo divulgou no Twitter os nomes desses indivíduos e afirmou que um voto foi enviado no nome de cada um deles nas eleições 2020. 

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Funcionários do condado rejeitaram parte dessas alegações e disseram à CNN que os votos de dois dos nomes listados não foram contabilizados. Eles declararam também que estão cientes dos outros dois nomes, ainda sob investigação. 

Um dos indivíduos citados pela campanha de Trump é da cidade de Nicholson. A diretora de eleições do condado, Jennifer Logan, contou à CNN que a alegação de que a identidade da pessoa havia sido usada na eleição presidencial da semana passada “não é verdade”. 

Logan disse que a pessoa “foi removida das listas [eleitorais] em 2003”, quando morreu. Ela explicou também que alguém com o mesmo nome, mas grafia ligeiramente diferente, votou legalmente no condado em 2020. 

Outra das quatro pessoas da lista é de Newton, onde o Comitê Eleitoral afirmou à CNN que o indivíduo foi removido dos registros eleitorais quando morreu e não votou neste ano. 

Phil Johnson, diretor do comitê, explicou que a viúva do homem em questão votou usando o nome do marido, com “sra.” escrito antes, o que teria causado a confusão. “Estou muito desapontado que alguém possa ter feito uma alegação como essa, sem checar”, disse Johnson. 

Os funcionários estão investigando os outros dois nomes da lista divulgada pela campanha de Trump. 

Em uma entrevista coletiva nesta semana, Gabriel Sterling, gerente de implementação do sistema de votação pela Secretaria de Estado da Geórgia, afirmou que o gabinete está empenhado em investigar todas as alegações de fraudes. “Vamos investigar cada uma que chegar”, disse. 

Ele ressaltou que, embora nenhuma eleição seja perfeita, é improvável que qualquer caso confirmado de votos contabilizados irregularmente seja o suficiente para alterar os resultados gerais. 

Na quarta-feira, o secretário de estado da Geórgia, Brad Raffensperger, anunciou que haverá uma recontagem completa dos votos no estado em razão da estreita margem de diferença entre Trump e Biden. A CNN ainda não projetou um vencedor nesse estado. Atualmente, Biden tem uma vantagem de mais de 14 mil votos na região. 

(Texto traduzido. Leia o original em inglês.)