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    Entenda por que Botsuana ameaçou enviar 20 mil elefantes para a Alemanha

    Presidente do país disse que "não é uma piada" em meio a uma disputa ambiental

    Alguns dos elefantes mortos em Botsuana foram encontrados em torno de poços de água, enquanto outros parecem ‘caído de cara no chão’
    Alguns dos elefantes mortos em Botsuana foram encontrados em torno de poços de água, enquanto outros parecem ‘caído de cara no chão’ Foto: CNN

    Nadine Schmidt, Sarah Dean e Ingrid Formanekda CNN

    O presidente do Botsuana, Mokgweetsi Masisi, ameaçou enviar 20 mil elefantes para a Alemanha em meio a uma disputa sobre conservação ambiental.

    “Vinte mil elefantes para a Alemanha, isso não é uma piada”, disse Masisi ao tablóide alemão Bild.

    O líder africano criticou o governo alemão – particularmente o ministério do meio ambiente – por tentar proibir a importação de troféus provenientes da caça de animais, em especial de elefantes, de Botsuana.

    No início deste ano, o Ministério do Meio Ambiente alemão, liderado por Steffi Lemke, do partido Verde, levantou a possibilidade de limitar a vinda desses produtos para a Alemanha e levantou a preocupação sobre ao aumento da caça de elefantes no país africano.

    Masisi disse jornal alemão que o partido Verde deveria aprender a conviver com elefantes sem caçá-los.

    “É muito fácil sentar-se em Berlim e ter uma opinião sobre os nossos assuntos em Botsuana. Estamos pagando o preço pela preservação desses animais para o mundo – e até mesmo para o partido de Lemke”, disse Masisi.

    Os alemães devem tentar “viver junto com os animais, da maneira que você está tentando nos dizer”, acrescentou.

    De acordo com Masisi, Botsuana tem umas das maiores populações de elefantes do mundo, chegando a 130 mil animais.

    Para combater a “superpopulação” da espécie no país, Botsuana já ofereceu 8 mil elefantes para Angola e outros 500 ao Moçambique, disse Masisi.

    “Gostaríamos de oferecer tal presente à Alemanha”, disse Masisi a Bild, acrescentando que “não aceitaria ‘não’ como resposta.”

    O presidente do Botsuana argumentou que os esforços de conservação levaram a uma explosão da população de elefantes, e a caça é um “meio importante para mantê-los sob controle.”

    Masisi disse que os elefantes estavam pisando em pessoas até a morte, comendo colheitas e causando danos às aldeias – e a proibição da importação de troféus de caça só empobreceria os botsuanos.

    Masisi afirmou que seu país faz mais para proteger a vida selvagem “do que qualquer outro país do mundo” e convidou o ministro alemão a inspecionar a proteção dos animais em seu país.

    A CNN contactou o Ministério do Ambiente e Turismo de Botsuana para comentar.

    O país africano proibiu a caça desses animais em 2014 na tentativa de diminuir a prática e o declínio da população.

    Mas a proibição foi descartada em 2019, após pressão das comunidades locais. Agora, Botsuana emite cotas anuais de caça para controle.

    Botsuana não levantou nenhuma preocupação com o governo alemão sobre esse assunto, disse um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores alemão a repórteres em uma coletiva de imprensa nesta quarta-feira (3).

    E a porta-voz do Ministério do Meio Ambiente alemão, Iris Throm, disse que a parta mantém conversas com países africanos afetados pelas regras de importação, incluindo Botsuana.

    De acordo com o ministério, a Alemanha é um dos maiores importadores de troféus de caça na União Europeia, sob autorização de importação.

    Dados da Agência Federal de Conservação da Natureza da Alemanha mostram que o país importou 26 troféus de caça de elefantes africanos em 2023 de um total de quase 650.

    O ministério está em discussão com a UE sobre restrições de importação mais rigorosas, que se concentram em ampliar a lista de espécies protegidas, acrescentou Throm.

    Mary Rice, diretora executiva da ONG Environmental Investigation Agency, disse à CNN que a fala de Masisi é uma ameaça ” bastante vazia” e “não está claro o que aconteceria se fosse remotamente possível.”

    Mas a briga está ligada a questões mais amplas em torno da caça ao troféu, de acordo com Rice.

    “Independentemente de você ser a favor ou contra a caça como uma ferramenta de conservação, a indústria de caça – como é o que é – precisa ser colocada em ordem”, disse ela.

    “Ele é amplamente autorregulado, carece de transparência e está aberto a comportamentos desonestos”, acrescentou Rice.

    A entrevista de Masisi com o Bild vem depois que o presidente do Botsuana alertou recentemente que uma proibição de importação de troféus de caça sendo debatida no parlamento do Reino Unido equivaleria a “um ressurgimento das conquistas coloniais”.

    A caça a troféus não chega perto de diminuir a população de elefantes, disse Masisi à emissora Sky News.

    O país “nem chega perto” da cota de 400 elefantes por ano permitida pela Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas de Extinção da Fauna e Flora Silvestre (CITES), um tratado multilateral para proteger plantas e animais ameaçados de extinção das ameaças do comércio internacional, ele acrescentou.

    “Acho impensável que você fique horrorizado com a proteção dos meios de subsistência – pessoas rurais e pobres, que permitiram que 40% do país fossem reservados para conservação – quando se defendem”, disse Masisi.

    Este conteúdo foi criado originalmente em Internacional.

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