Militares convocam ministros da Guiné após a derrubada do presidente

Porta-voz da unidade do exército disse à TV estatal que não comparecer à reunião seria encarado pelos militares como 'rebelião'; grupo destituiu presidente e dissolveu Constituição neste domingo (5)

Alpha Condé, presidente da Guiné
Alpha Condé, presidente da Guiné Kremlin.ru/Wikipedia

Saliou Sambda Reuters

Ouvir notícia

Os militares que destituíram o presidente da Guiné, Alpha Conde, convocaram ministros e altos funcionários do governo para uma reunião nesta segunda-feira (6) – um dia depois do golpe que derrubou o presidente e atraiu olhares de todo o mundo.

Um porta-voz da unidade do exército disse à televisão estatal que não comparecer à reunião seria encarado pelos militares como uma “rebelião”.

Os fatos em andamento no país da África Ocidental, que detém as maiores reservas de bauxita do mundo – minério usado para produzir alumínio – fez os preços do metal dispararem para a maior alta em 10 anos nesta segunda-feira, devido aos temores de interrupções no fornecimento do mercado. Não havia indicação de interrupção nesta segunda.

O tráfego foi retomado e alguns estabelecimentos reabriram em torno do principal distrito administrativo de Kaloum, em Conakry, que testemunhou um pesado tiroteio durante este domingo (5), enquanto forças especiais lutavam contra soldados leais a Conde.

Um porta-voz militar disse na televisão que as fronteiras aéreas e terrestres também foram reabertas.

No entanto, a incerteza permanece. Embora, o grupo de militares pareça ter detido Conde, dizendo à nação na TV estatal que eles haviam dissolvido o governo e a Constituição do país, outros ramos do exército ainda não comentaram o assunto publicamente.

A unidade das forças especiais é liderada pelo ex-oficial legionário francês, coronel Mamady Doumbouya, que disse na televisão estatal no domingo que “a pobreza e a corrupção endêmica” levaram suas forças a destituir Conde do cargo.

Aliados condenam golpe

O aparente golpe foi recebido com a condenação de alguns dos aliados mais fortes da Guiné. As Nações Unidas denunciaram rapidamente os fatos em Guiné e tanto a União Africana como o bloco regional da África Ocidental ameaçaram com sanções.

Em um comunicado, o Departamento de Estado dos EUA disse que a violência e medidas extra-constitucionais podem corroer as perspectivas de estabilidade e prosperidade da Guiné.

“Essas ações podem limitar a capacidade dos Estados Unidos e de outros parceiros internacionais da Guiné de apoiar o país”, disse o comunicado.

Especialistas regionais dizem, porém, que ao contrário do Mali, onde vizinhos e parceiros puderam pressionar uma junta depois de um golpe, a influência dos militares na Guiné poderia ser limitada.

Embora a riqueza mineral tenha alimentado o crescimento econômico durante o período em que Conde esteve na presidência, poucos cidadãos se beneficiaram significativamente, contribuindo para a frustração entre milhões de jovens desempregados.

Apesar do toque de recolher durante a noite, a sede da guarda presidencial de Conde foi saqueada por pessoas que fugiram com arroz, latas de óleo, ar-condicionado e colchões, disse um correspondente da Reuters.

(Reportagem de Saliou Samb; escrita de Cooper Inveen. Com edição de Bate Felix e Emelia Sithole-Matarise, da Reuters.)

Mais Recentes da CNN