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    Mossad ajudou a desarticular célula do Hezbollah no Brasil, diz governo de Israel

    Informação foi compartilhada pelo perfil oficial do gabinete do primeiro-ministro israelense nas redes sociais nesta quarta

    Gabinete do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, fez anúncio nas redes sociais
    Gabinete do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, fez anúncio nas redes sociais Foto: ABIR SULTAN/Pool via REUTERS

    Rodrigo VigaGabriel Stargardterda Reuters

    Rio de Janeiro

    A agência de espionagem de Israel, Mossad, trabalhou com os serviços de segurança brasileiros e outras agências internacionais para frustrar um ataque a judeus no Brasil planejado pelo grupo radical islâmico Hezbollah apoiado pelo Irã, disse o gabinete do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu nesta quarta-feira (8).

    A Polícia Federal (PF) disse em nota que prendeu duas pessoas, cujos nomes não foram divulgados, sob acusações de terrorismo em São Paulo. Eles também realizaram mandados de busca e apreensão no estado e em Brasília e Minas Gerais.

    O Mossad agradeceu aos serviços de segurança brasileiros por seu papel em ajudar a frustrar o ataque.

    “Os serviços de segurança brasileiros, juntamente com o Mossad e agências adicionais de segurança e aplicação da lei internacionais, frustraram um ataque terrorista no Brasil, que havia sido planejado pela organização terrorista Hezbollah, dirigido e financiado pelo regime iraniano”, disse o gabinete de Netanyahu.

    O Mossad disse que a “célula terrorista era operada pelo Hezbollah para realizar um ataque contra alvos israelenses e judeus no Brasil”.

    O Hezbollah, um grupo apoiado pelo Irã no Líbano não pôde ser imediatamente contatado para comentar. O governo iraniano também não.

    Terrorismo no Brasil

    O Brasil tem uma história relativamente pequena de extremismo dentro do país.

    Em 2017, oito brasileiros ligados ao Estado Islâmico foram condenados à prisão por planejarem ataques durante os Jogos Olímpicos do Rio de 2016, após uma pista do FBI, dos Estados Unidos.

    Em 2021, o Tesouro dos EUA apontou três homens no Brasil como membros de uma rede afiliada à Al Qaeda. As autoridades dos EUA também mantêm um olhar atento sobre a região da Tríplice Fronteira entre Brasil, Argentina e Paraguai, que abriga grande comunidade da diáspora libanesa e uma base para organizações de contrabando e outros grupos do crime organizado.

    Antissemitismo cresce

    A operação da Polícia Federal ocorre em meio a crescentes preocupações com a segurança global após o ataque do Hamas ao sul de Israel em 7 de outubro e o subsequente bombardeio da Faixa de Gaza pelos militares israelenses.

    Líderes judeus brasileiros disseram à Reuters no mês passado que notaram um aumento no discurso antissemita online desde o início do conflito.

    “Estamos acompanhando com apreensão e preocupação esta operação da Polícia Federal hoje. O Brasil não tem histórico de terrorismo e esperamos que o conflito no Oriente Médio não seja importado para cá”, disse Ricardo Berkiensztat, presidente executivo da Federação Judaica do Estado de São Paulo (Fisesp).

    O Hezbollah

    O Hezbollah foi criado pela Guarda Revolucionária do Irã em 1982 para lutar contra as forças israelenses que invadiram o Líbano. O grupo fortemente armado tem assentos no parlamento e no governo e atua como a ponta de lança do Irã no Líbano e na região.

    Desde o ataque de 7 de outubro, o Hezbollah tem se envolvido com as forças israelenses ao longo da fronteira, na escalada mais mortal desde que lutou uma guerra com Israel em 2006.

    O Hezbollah foi designado como organização terrorista por Argentina, Grã-Bretanha, Canadá, Alemanha, Honduras e Estados Unidos, bem como pela maioria dos estados do Golfo aliados dos EUA.

    O ex-presidente brasileiro Jair Bolsonaro (PL) disse em 2019 que planejava rotular o Hezbollah como organização terrorista também, mas a medida nunca ocorreu.

    Vídeo – Gabinete de Netanyahu repercute prisão de brasileiros por suspeita de terrorismo