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    Rússia ataca a Ucrânia; explosões são ouvidas em várias cidades

    Biden, União Europeia e países aliados reagem; Departamento de Defesa dos EUA rastreia incursão de tropas da Belarus por território ucraniano

    Explosão é vista na capital ucraniana de Kiev nesta quinta-feira, 24 de fevereiro Gabinete do Presidente da Ucrânia

    Marcio Tumen PinheiroHenrique Andradeda CNN

    São Paulo

    audima

    Após dias de escalada de tensão e ameaças, a Rússia de Vladimir Putin atacou a Ucrânia nas primeiras horas desta quinta-feira (24) – acompanhe a repercussão ao vivo na CNN.

    Pouco depois de Putin ter autorizado, em pronunciamento pela TV, uma operação militar nas regiões separatistas do leste da Ucrânia, explosões e sirenes foram ouvidas em várias cidades do país, segundo relatos de repórteres da CNN. A Ucrânia informou que pelo menos 50 pessoas morreram.

    Em seu pronunciamento, Putin justificou a ação ao afirmar que a Rússia não poderia “tolerar ameaças da Ucrânia”. Putin recomendou aos soldados ucranianos que “larguem suas armas e voltem para casa”. O líder russo afirmou ainda que não aceitará nenhum tipo de interferência estrangeira.

    Em vídeo divulgado nas redes sociais, o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky anunciou que impôs a lei marcial no país e pediu que a população permaneça calma.

    “Caros cidadãos ucranianos, esta manhã o presidente Putin anunciou uma operação militar especial em Donbas. A Rússia realizou ataques contra nossa infraestrutura militar e nossos guardas de fronteira. Ouviram-se explosões em muitas cidades da Ucrânia. Estamos introduzindo a lei marcial em todo o território do nosso país”, declarou.

    O ministro ucraninano de Relações Exteriores, Dmytro Kuleba, afirmou que Putin ordenou invasão de larga escala. “Cidades pacíficas da Ucrânia estão sob ataque. Esta é uma guerra de agressão”, escreveu.

    Um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Ucrânia descreveu a ação militar da Rússia como um “ato de guerra”, em um comunicado publicado nas redes sociais.

    A reação da comunidade internacional foi imediata. Em declaração divulgada pela Casa Branca na madrugada desta quinta, o presidente americano Joe Biden disse que a “Rússia sozinha é responsável pela morte e destruição que esse ataque trará”. 

    “Me reunirei (nesta quinta) com os líderes do G7, e os Estados Unidos e nossos aliados e parceiros imporão severas sanções à Rússia”, afirmou Biden logo após falar ao telefone com o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky.

    A União Europeia também criticou os ataques. Segundo a chefe da Comissão Executiva do bloco, Ursula von der Leyen, a União Europeia responsabilizará Moscou pelo ataque “injustificado” à Ucrânia. 

    Em pronunciamento na manhã desta quinta, von der Leyen prometeu “sanções massivas e estratégicas” contra a Rússia.

    Ursula von der Leyen em pronunciamento nesta quinta-feira (24) / Reprodução/Twitter

    “Nestas horas sombrias, nossos pensamentos estão com a Ucrânia e as mulheres, homens e crianças inocentes que enfrentam esse ataque não provocado e temem por suas vidas”, disse von der Leyen no Twitter.

    Os líderes da UE devem realizar uma cúpula de emergência em Bruxelas nesta quinta-feira, depois que uma primeira rodada de sanções da UE à Rússia entrou em vigor na quarta-feira (23). Embaixadores da Otan também marcaram uma reunião de emergência para esta quinta. 

    O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, afirmou que “o Reino Unido e nossos aliados responderão de forma decisiva”. Já o primeiro-ministro japonês, Fumio Kishida, disse nesta quinta que a situação na Ucrânia é “tensa” e que trabalhará com os países do G7 sobre o assunto.

    Emmanuel Macron, presidente francês, disse que a França “condena fortemente a decisão da Rússia de iniciar guerra com a Ucrânia”. “A Rússia deve encerrar suas operações militares imediatamente”, escreveu Macron nas redes sociais.

    A China manteve a cautela. O embaixador da China nas Nações Unidas, Zhang Jun, pediu a todas as partes envolvidas na crise Ucrânia-Rússia que “mantenham a cabeça fria e racional”.

    “É especialmente importante no momento evitar o aumento das tensões”, disse Zhang em uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU na noite de quarta-feira. “Todas as partes envolvidas devem exercer moderação e evitar uma maior escalada de tensões”, disse ele, acrescentando que a China acredita que a “porta para uma solução pacífica para a questão da Ucrânia não está totalmente fechada”.

    A Embaixada da China na Ucrânia pediu que os cidadãos chineses fiquem dentro de casa e coloquem bandeiras chinesas em seus carros “por segurança”.

    O secretário-geral da ONU, António Guterres, pediu ao presidente da Rússia, Vladimir Putin, que pare de “atacar a Ucrânia” e dê uma chance à paz.

    Em meio às explosões relatadas pelos repórteres da CNN, militares russos negavam que as cidades ucranianas estavam sendo alvo de ataques. “As Forças Armadas russas não estão lançando mísseis ou ataques de artilharia nas cidades da Ucrânia. Armas de alta precisão destroem a infraestrutura militar: aeródromos militares, aviação, instalações de defesa aérea das Forças Armadas da Ucrânia”, afirma comunicado russo. “A população civil não está em risco.” 

    Separatistas apoiados pela Rússia também entraram em ação e disseram nesta quinta-feira terem lançado uma ofensiva na cidade de Shchastia, controlada pela Ucrânia, na província de Luhansk.

     

    O Departamento de Defesa dos EUA está rastreando a incursão de tropas da Belarus na Ucrânia. Vídeos obtidos pela CNN mostraram tanques russos cruzando a fronteira e entrando na cidade ucraniana de Senkivka.

    Nas últimas semanas, a Rússia acumulou um número significativo de tropas, veículos e tanques em Belarus, perto da fronteira com a Ucrânia. Durante esse período, os dois países realizaram exercícios militares conjuntos em todos os países e perto da fronteira Bielorrússia-Ucrânia.

    A Rússia suspendeu voos domésticos de e para vários aeroportos perto de sua fronteira com a Ucrânia, segundo a agência federal de aviação Rosaviatsiya.

    Bolsas na Ásia caem

    Os mercados asiáticos já reagem à ação da Rússia na Ucrânia. O índice Hang Seng de Hong Kong abriu em queda de 3,2%. O Kospi da Coreia caiu 2,7%. O Nikkei 225 do Japão perdeu 2,4% depois de voltar de um feriado. O Shanghai Composite da China caiu 0,9%.

    Os futuros de ações dos EUA também caíram. Os futuros da Dow caíram  até 780 pontos, ou 2,4%. Os futuros do S&P 500 e do Nasdaq caíram 2,3% e 2,8%, respectivamente.

    As perdas amplas seguiram um declínio acentuado em Wall Street na quarta-feira. O Dow fechou mais de 464 pontos, ou 1,4%, registrando seu quinto dia consecutivo de perdas. O S&P 500 e o Nasdaq caíram 1,8% e 2,6%, respectivamente.

    (Com informações de Mathias Brotero, enviado especial da CNN a Kiev, da CNN Internacional e da Reuters)

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