Rússia lança maior ataque aéreo contra a Ucrânia em mais de um mês
Pelo menos três pessoas morreram e dezenas ficaram feridas, segundo presidente ucraniano; ofensiva acontece em meio a negociações de paz
A Rússia lançou o maior ataque de drones e mísseis em mais de um mês em toda a Ucrânia, matando pelo menos três pessoas, disse o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, neste sábado (29).
A ofensiva acontece em meio às negociações de paz entre Rússia, Ucrânia e Estados Unidos. Uma delegação de Kiev está a caminho dos Estados Unidos para uma nova rodada de conversas sobre um plano de paz apresentado pelo presidente dos EUA, Donald Trump.
Do lado ucraniano, as negociações serão lideradas por Rustem Umerov, secretário do Conselho Nacional de Segurança e Defesa da Ucrânia, nomeado por Zelensky após a renúncia de seu principal assessor na sexta-feira (28). A delegação ucraniana aproveitará os desdobramentos das recentes reuniões em Genebra, disse Zelensky.
Moscou lançou cerca de 36 mísseis e quase 600 drones contra a Ucrânia na noite de sexta-feira para sábado, disse o presidente ucraniano. Grande parte da capital, Kiev, está sem energia.
"Os principais alvos do ataque foram infraestruturas energéticas e instalações civis, com grandes danos e incêndios em edifícios residenciais. Atualmente temos relatos de dezenas de feridos e três mortos", disse Zelensky.
A Força Aérea Ucraniana disse que as forças de defesa derrubaram a maior parte dos projéteis disparados na manhã deste sábado – a maioria deles drones Shahed de fabricação iraniana e drones russos Gerbera de longo alcance.
Os ataques atingiram casas, bem como a rede energética e infraestruturas críticas do país, disse o ministro de Relações Exteriores, Andrii Sybiha, no Telegram. Ele disse que foi “uma noite difícil… particularmente em Kiev”.
Duas pessoas, incluindo um homem de 42 anos, foram mortas na capital e 15 ficaram feridas, incluindo uma criança, disseram as autoridades locais e a polícia. A terceira pessoa, uma mulher de 74 anos, foi morta na região de Kiev, disseram as autoridades locais.
Kiev ficou sob alerta de ataque aéreo por mais de dez horas durante a noite de sábado, disseram repórteres da CNN na cidade, com drones e fortes explosões no céu.
Imagens publicadas pela Reuters mostraram funcionários dos serviços de emergência trabalhando para entrar em um prédio de vários andares em Kiev. Dezenas de janelas foram quebradas e grande parte da fachada parecia chamuscada.
A Polônia mobilizou jatos militares e sistemas de defesa aérea em resposta ao ataque, afirmaram as forças armadas de Varsóvia, acrescentando que “estas ações são de natureza preventiva”.
O Ministério da Energia da Ucrânia disse que os ataques russos durante a noite deixaram mais de 600 mil consumidores sem energia.
“Como resultado do ataque, mais de 500 mil consumidores em Kiev, mais de 100 mil na região de Kiev e quase 8 mil na região de Kharkiv ficaram sem eletricidade pela manhã”, disse o ministério.
A empresa privada de energia DTEK disse em uma atualização neste sábado que a energia foi restaurada para cerca de 360 mil famílias.

O ataque ocorreu no momento em que a delegação ucraniana se dirigia aos EUA para continuar a discutir o plano de paz, segundo a presidência ucraniana.
O principal negociador de Zelensky, e então chefe de gabinete da presidência ucraniana, Andriy Yermak, renunciou na sexta-feira depois de ser alvo de uma ação policial em meio a uma investigação sobre corrupção. O escândalo cria uma enorme preocupação interna em um momento de vulnerabilidade diplomática e militar para Kiev.
No lugar de Yermak, Zelensky nomeou Umerov como chefe da delegação ucraniana. Ele participará de negociações com os EUA e “outros parceiros internacionais da Ucrânia, bem como com representantes da Federação Russa para alcançar uma paz justa e duradoura”, dizia um comunicado do governo.
“Nos EUA, continuaremos a coordenar todos os desenvolvimentos que foram atingidos durante as reuniões em Genebra”, disse Zelensky. Nas negociações do último fim de semana, em Genebra, a proposta inicial do governo Trump, criticada por supostamente favorecer a Rússia, foi amplamente revista.
“A Ucrânia continua o seu trabalho diplomático sistemático e construtivo em prol de uma paz digna”, acrescentou o presidente ucraniano.
Uma equipe dos EUA também deverá visitar Moscou para negociações com o presidente russo, Vladimir Putin, na próxima semana.
Putin disse que a proposta original dos EUA poderia “formar a base para acordos futuros”, mas também disse que um acordo só seria possível se Kiev se retirasse de algumas áreas no leste da Ucrânia que atualmente estão sob controle russo.
“Se não se retirarem, conseguiremos isso através de meios militares”, acrescentou o líder russo.



