Trump ordena tarifas de 25% contra Colômbia após recusa de deportados

Presidente da Colômbia afirmou que não receberá voos militares com pessoas que foram expulsas dos EUA

Da CNN Brasil
Donald Trump durante evento em Arlington.  • 19/1/2025 REUTERS/Carlos Barria
Compartilhar matéria

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, informou pelas redes sociais neste domingo (26) que ordenou que o governo americano adote medidas de retaliação contra a Colômbia, após o país sul-americano se recusar a receber voos militares com pessoas deportadas.

Trump alegou que a ação "colocou em risco a Segurança Nacional e a Segurança Pública dos Estados Unidos". Assim, determinou:

  • Tarifas emergenciais de 25% sobre todos os bens da Colômbia que entram nos Estados Unidos. Em uma semana, as tarifas de 25% serão elevadas para 50%
  • Proibição de viagens e revogações imediatas de vistos para autoridades do governo colombiano e todos os aliados e apoiadores.
  • Sanções de visto para todos os integrantes do partido, familiares e apoiadores do governo colombiano.
  • Inspeções aprimoradas de alfândega e proteção de fronteiras de todos os cidadãos colombianos e cargas por motivos de segurança nacional.

O republicano afirmou ainda que vai impor sanções previstas pelo Ato de Emergência Internacional e Poderes Econômicos (IEEPA, na sigla em inglês).

A lei concede ao presidente autoridade para declarar uma emergência nacional em períodos de paz e usar medidas econômicas como resposta. O presidente disse que medidas relacionadas ao Tesouro, ao setor bancário e financeiras serão completamente impostas.

Não foram fornecidos mais detalhes, mas as medidas previstas pelo IEEPA incluem:

  • bloqueio de ativos de integrantes do governo alvo das sanções
  • restrição comercial e financeira para limitar a capacidade do país de negociar com os EUA ou acessar mercados financeiros internacionais
  • e proibição de transações em dólares americanos, o que poderia afetar a economia de forma geral, diante do uso generalizado do dólar no comércio global

O presidente dos EUA alertou que essas medidas "são apenas o começo" e que é obrigação legal da Colômbia aceitar o retorno do que ele chamou de "criminosos que foram forçados para dentro dos Estados Unidos".

Colômbia impõe tarifas contra os EUA

Em resposta à ação de Trump, o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, ordenou o aumento das tarifas de importações dos Estados Unidos em 25%.

"O Ministério [de Comércio Exterior] dever ajudar a direcionar nossas exportações para todo o mundo, exceto para os EUA. As nossas exportações devem expandir-se. Convido todas as comunidades estrangeiras colombianas a serem comerciantes dos nossos produtos", destacou o presidente do país sul-americano em publicação no X.

Ele afirmou ainda que o governo ajudará a substituir os produtos dos EUA pela produção nacional.

Petro responde Trump

Gustavo Petro respondeu com desdém ao anúncio de Trump, dizendo: "Trump, eu realmente não gosto de viajar para os EUA, é um pouco chato".

Ele criticou as ações e o caráter  do presidente americano, até mesmo sugerindo que o republicano o considera "uma raça inferior". "E eu não sou, nem nenhum colombiano é [uma raça inferior]", ressaltou.

Petro acrescentou que a Colômbia "está aberta ao mundo inteiro, de braços abertos, somos construtores de liberdade, vida e humanidade".

Colômbia se recusa a receber deportados

Mais cedo, o presidente da Colômbia, Gustavo Petro anunciou o bloqueio de voos militares de deportação dos EUA.

Dois voos militares dos EUA com destino ao país sul-americano durante a noite de sábado (25) foram rejeitados, de acordo com um rastreador de voos, depois que Petro escreveu em um post no X que estava negando a entrada da aeronave.

Em outra publicação, Petro se mostrou aberto a receber voos com imigrantes, mas pediu aos americanos que usem aviões civis e estabeleçam melhores protocolos para o tratamento dessas pessoas.

"Não posso obrigar os imigrantes a permanecer num país que não os quer; Mas, se esse país os devolver, deverá ser com dignidade e respeito por eles e pelo nosso país. Nos aviões civis, sem serem tratados como criminosos, receberemos os nossos compatriotas. A Colômbia se respeita", destacou o presidente.

Segundo o governo colombiano, Petro colocou o avião presidencial à disposição para o "retorno digno" dos cidadãos e que abordará o assunto em uma reunião extraordinária da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac), marcada para o dia 30 de janeiro.

*com informações da CNN e de Priscila Yazbek, da CNN