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    Vladimir Putin está em uma posição de força na Ucrânia, afirma especialista

    Potencial da China como mercado consumidor do gás da Rússia limita efeitos econômicos de sanções pelo Ocidente

    Presidente russo, Vladimir Putin Reuters

    Juliana AlvesJoão Pedro Malarda CNN

    em São Paulo

    audima

    As tensões globais aumentaram à medida que países ocidentais temem um possível ataque à Ucrânia por parte da Rússia. Para Leonardo Trevisan, economista e professor da ESPM, o presidente russo, Vladimir Putin, está em uma posição de força no atual cenário.

    “A função pela qual a Rússia pressiona por essa situação é porque Vladimir Putin imagina que está em uma posição de força, e de fato, ele está sim com as cartas na mão, porque o Ocidente neste momento enfrenta uma crise energética muito grave. Quando nós olhamos para a posição alemã, principal país e maior PIB da Europa, tem uma posição muito cautelosa sobre a questão ucraniana, porque a Alemanha depende do gás russo, que chega pela Ucrânia”, afirmou Trevisan em entrevista à CNN nesta segunda-feira (24).

    O professor diz que é essa dependência que levou a um pedido da Alemanha por calma em relação ao cenário atual por parte do primeiro-ministro Olaf Scholz, que assumiu o cargo recentemente e “não está com uma grande experiência internacional”.

    Uma novidade na situação ucraniana foi o anúncio do Reino Unido de que pretende retirar cidadãos de sua embaixada no país temendo uma invasão russa, movimento seguido pelos Estados Unidos. Para Trevisan, a decisão está ligada a uma crise política interna.

    “A diplomacia americana, para não deixar o Reino Unido sozinho, acompanhou com menos intensidade. O restante dos países europeus tomaram uma atitude muito mais cautelosos. Essas posições do Reino Unido têm a ver com questões internas de Londres. O governo Boris Johnson enfrenta problemas internos muito fortes. Está com pedidos de desconfiança no parlamento. Uma atitude de pressão internacional cai como uma luva para desviar a atenção”m diz.

    Na avaliação de Trevisan, a força da Rússia atualmente está ligada a outro ator internacional relevante, a China. “Nós temos que entender a notícia, dada com cautela, de que no dia 4 de fevereiro, na abertura das Olimpíadas de Inverno em Pequim, o principal convidado será o Vladimir Putin, para a assinatura de um possível acordo para a construção de um segundo gasoduto transportando gás russo para Pequim.”

    Na linha de frente, ucranianos se preparam para possível ataque:

    “Se a Alemanha ousar jogar fora o gasoduto construindo para levar pelos Bálticos o gás russo para ela, não há problema nenhum para os russos, porque os chineses estão esperando com dinheiro na mão. Na prática, significa uma mudança geopolítica fundamental no mundo, e os alemães estão pensando duas vezes”, afirma.

    Para o professor, “os russos sabem que as pressões internacionais, econômicas do ocidente, têm um limite, porque eles têm outro freguês para o gás russo. Esse papel faz com que a diplomacia americana pense duas vezes em jogar fora as relações entre Europa e Rússia pelo caso ucraniano”.

    Entretanto, ele avalia que, no cenário de tensão atual, “qualquer centelha pode provocar uma situação descontrolada, em que depois não se recupera o efetivo controle da situação. É possível que uma tensão menor faça a situação sair do controle, mas esperamos que a sensatez e a prudência que a liderança francesa e a alemã impere, e que o cuidado com a oportunidade oferecida aos chineses também faça com que se freie os tambores da guerra e a diplomacia fale mais alto”.

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