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    Rússia e China vetam resolução dos Estados Unidos sobre guerra de Israel no Conselho de Segurança

    Proposta americana foi construída focada no “direito de autodefesa” de Israel e sem apelos por um cessar-fogo, mas pausas humanitárias

    Conselho de Segurança da ONU, na sede da organização em Nova York
    Conselho de Segurança da ONU, na sede da organização em Nova York 20/09/2023REUTERS/Mike Segar

    Tiago Tortellada CNN

    em São Paulo

    A resolução dos Estados Unidos sobre a guerra de Israel foi vetada pela Rússia e pela China em votação no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) nesta quarta-feira (25).

    Os Emirados Árabes Unidos também votaram contra a proposta, enquanto 10 membros votaram a favor e dois se abstiveram (Brasil e Moçambique).

    Conforme informou Daniel Rittner, diretor editorial da CNN em Brasília, a proposta americana foi construída focada no “direito de autodefesa” de Israel e sem apelos por um cessar-fogo, mas pausas humanitárias.

    O rascunho dos EUA falava apenas em “pausas humanitárias” para o acesso de insumos básicos, como água, alimentos, combustíveis e medicamentos, à população civil na Faixa de Gaza.

    Antes da votação, a representante dos EUA na ONU, Linda Thomas-Greenfield, afirmou que o documento era “forte e equilibrado” e que tinham se engajado em dialogar com todos os membros do Conselho para modificações no texto.

    Ela pontuou também que “o voto por essa resolução envia a mensagem que todos os reféns precisam ser libertados imediatamente, sem condições” e que mais ajuda humanitária é necessária em Gaza.

    Por fim, a diplomata ressaltou que são precisos “passos concretos” para evitar expansão do conflito para além de Gaza e de um trabalho conjunto para diminuir o armamento e financiamento do Hamas, visando um futuro “onde dois Estados democráticos possam viver em paz.

    Em seguida, o representante da Rússia, Vasily Nebenzya, criticou o documento proposto pelos americanos, destacando que seria “politizado” e teria objetivo apenas de garantir a situação política dos EUA na região.

    Resolução russa também é rejeitada

    Em seguida, um documento formulado pela Rússia também foi rejeitado pelo Conselho de Segurança da ONU.

    Ainda segundo Rittner, o documento propunha um “cessar-fogo humanitário” e pedia a Israel que cancele “imediatamente” a ordem de retirada dos palestinos do norte de Gaza.

    A votação desta quarta-feira (25) atrasou, porque países pediram consultas diplomáticas fechadas antes que a reunião acontecesse, conforme informou Mariana Janjácomo, correspondente da CNN.

    Isso aconteceu também no primeiro dia em que seria votada a resolução brasileira e outra da Rússia, com a representante dos Emirados Árabes pedindo mais tempo para que o tema fosse analisado e que sugestões fossem feitas.

    Entretanto, naquele mesmo dia, o representante russo colocou o documento a votação, que acabou vetado. Dias depois, os Estados Unidos vetaram o texto brasileiro, que teve forte apoio dos outros integrantes do Conselho.

    Assembleia-Geral da ONU discutirá guerra de Israel

    Nesta quinta-feira (26), a Assembleia-Geral da ONU se reúne para debater o conflito no Oriente Médio.

    Por iniciativa de 57 países de maioria muçulmana, divididos em dois blocos (Grupo Árabe e Organização para a Cooperação Islâmica), uma resolução alternativa poderá ser votada na sexta-feira (27).

    Na Assembleia-Geral, resoluções sobre guerra e paz são aprovadas por dois terços dos votos. Não há poder de veto dos membros permanentes do Conselho de Segurança.

    A minuta submetida pelos países muçulmanos também replica, em boa parte, a linguagem sugerida pelo Brasil na semana passada. Não fala em “direito de autodefesa” de Israel, pede um “cessar-fogo imediato” e pede que as ordens de evacuação dos palestinos do norte de Gaza sejam encerradas.

    O documento aborda ainda a “importância de prevenir maior desestabilização e escalada da violência na região”, além de pedir a “todas as partes a exercitar máxima contenção” para atingir esses objetivos.

    Entretanto, todas as resoluções são recomendações e não tem cumprimento obrigatório por parte das nações citadas. Entenda o papel da ONU em conflitos através desta matéria.

    *com informações da Reuters, de Daniel Rittner e de Mariana Janjácomo, da CNN