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    Nova resolução da Rússia sobre guerra de Israel é rejeitada no Conselho de Segurança

    Proposta russa propunha “cessar-fogo humanitário” e pedia a Israel que cancele “imediatamente” a ordem de retirada dos palestinos do norte de Gaza

    Plenário do Conselho de Segurança da ONU em Nova York
    Plenário do Conselho de Segurança da ONU em Nova York 04/05/2023 REUTERS/David 'Dee' Delgado

    Tiago Tortellada CNN

    em São Paulo

    Uma nova resolução da Rússia sobre a guerra de Israel foi rejeitada em votação no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) nesta quarta-feira (25).

    Foram quatro votos a favor (Rússia, China, Emirados Árabes e Gabão), dois contrários (Estados Unidos e Reino Unido) e nove abstenções (incluindo o Brasil). Assim, não houve o número mínimo de votos para que a resolução passasse.

    Conforme informou Daniel Rittner, diretor editorial da CNN em Brasília, o texto russo propunha um “cessar-fogo humanitário” e pedia a Israel que cancele “imediatamente” a ordem de retirada dos palestinos do norte de Gaza.

    Antes da votação, o representante russo na ONU, Vasily Nebenzya, afirmou que “ideias ideológicas e interesses políticos” impediram a aprovação da primeira resolução proposta pelo país.

    Além disso, disse que o texto dos EUA é “cheio de provisões dúbias e politizadas”, querendo garantir a situação política do país na região e não diminuindo as tensões.

    Segundo Nebenzya, o documento norte-americano não condena “ataques arbitrários contra alvos civis em Gaza” e não teria o mínimo de qualidade final.

    Resolução dos Estados Unidos é vetada pela Rússia

    Antes da votação da resolução russa, foi analisado um documento dos Estados Unidos, que foi vetado por Rússia e China.

    A proposta dos EUA foi construída focada no “direito de autodefesa” de Israel e sem apelos por um cessar-fogo, ainda segundo Rittner.

    O rascunho dos americanos falava apenas em “pausas humanitárias” para o acesso de insumos básicos, como água, alimentos, combustíveis e medicamentos, à população civil na Faixa de Gaza.

    A representante dos EUA na ONU, Linda Thomas-Greenfield, afirmou que o documento era “forte e equilibrado” e que tinham se engajado em dialogar com todos os membros do Conselho para modificações no texto.

    Ela pontuou também que “o voto por essa resolução envia a mensagem que todos os reféns precisam ser libertados imediatamente, sem condições” e que mais ajuda humanitária é necessária em Gaza.

    Por fim, a diplomata ressaltou que são precisos “passos concretos” para evitar expansão do conflito para além de Gaza e de um trabalho conjunto para diminuir o armamento e financiamento do Hamas, visando um futuro “onde dois Estados democráticos possam viver em paz.

    A votação desta quarta-feira (25) atrasou, porque países pediram consultas diplomáticas fechadas antes que a reunião acontecesse, conforme informou Mariana Janjácomo, correspondente da CNN.

    Isso aconteceu também no primeiro dia em que seria votada a resolução brasileira e outra da Rússia, com a representante dos Emirados Árabes pedindo mais tempo para que o tema fosse analisado e que sugestões fossem feitas.

    Entretanto, naquele mesmo dia, o representante russo colocou o documento a votação, que acabou vetado. Dias depois, os Estados Unidos vetaram o texto brasileiro, que teve forte apoio dos outros integrantes do Conselho.

    Assembleia-Geral da ONU discutirá guerra de Israel

    Nesta quinta-feira (26), a Assembleia-Geral da ONU se reúne para debater o conflito no Oriente Médio.

    Por iniciativa de 57 países de maioria muçulmana, divididos em dois blocos (Grupo Árabe e Organização para a Cooperação Islâmica), uma resolução alternativa poderá ser votada na sexta-feira (27).

    Na Assembleia-Geral, resoluções sobre guerra e paz são aprovadas por dois terços dos votos. Não há poder de veto dos membros permanentes do Conselho de Segurança.

    A minuta submetida pelos países muçulmanos também replica, em boa parte, a linguagem sugerida pelo Brasil na semana passada. Não fala em “direito de autodefesa” de Israel, pede um “cessar-fogo imediato” e pede que as ordens de evacuação dos palestinos do norte de Gaza sejam encerradas.

    O documento aborda ainda a “importância de prevenir maior desestabilização e escalada da violência na região”, além de pedir a “todas as partes a exercitar máxima contenção” para atingir esses objetivos.

    Entretanto, todas as resoluções são recomendações e não tem cumprimento obrigatório por parte das nações citadas. Entenda o papel da ONU em conflitos através desta matéria.

    *com informações de Daniel Rittner e Mariana Janjácomo, da CNN