William Waack

Waack: Trump joga o Brasil para os braços da China

A crise com os Estados Unidos está colocando o Brasil diante de escolha perigosa: a de ter de optar no grande confronto geopolítico mundial entre Estados Unidos e China

William Waack
Compartilhar matéria

A crise com os Estados Unidos está colocando o Brasil diante de escolha perigosa: a de ter de optar no grande confronto geopolítico mundial entre Estados Unidos e China.

Ocorre que a escolha está sendo feita por nós. Trump está empurrando o Brasil para o lado da China — que, na política externa altamente ideologizada de Lula, já via como o "lado certo" na História.

Os chineses passaram a oferecer investimentos no agro, em infraestrutura e logística, e também no sensível campo da defesa e armamentos — no qual os russos também se apresentaram nos últimos dias em Brasília.

O tema é muito delicado nas Forças Armadas brasileiras, que têm laços profundos e de longa data com os Estados Unidos e outros países da Otan. O setor de defesa brasileiro teme ser vítima do explosivo conteúdo político da crise com os Estados Unidos, com consequências catastróficas para a compra de armamentos, treinamento de tropas e possibilidade de exportação de produtos brasileiros — como caças suecos fabricados aqui ou aviões de transporte militar da Embraer.

Por enquanto, o governo brasileiro não dispõe de qualquer canal de alto nível para tratar com a Casa Branca, cujas exigências na área comercial são difíceis e complicadas, para se dizer o mínimo. Enquanto isso, as exigências políticas de Trump são impossíveis de serem atendidas por qualquer governo soberano.

Mas até essas parecem subordinadas ao grande quadro geopolítico, relatam pessoas privadas que tiveram acesso a instâncias do governo em Washington. É o fato de as relações com o Brasil estarem sendo pensadas como parte da grande rivalidade americana com a China. Exatamente a situação que se deveria evitar.