Fechamento de fronteira: governo constata PCC na divisa com Venezuela


Caio Junqueira
Por Caio Junqueira, CNN  
18 de março de 2020 às 10:13 | Atualizado 18 de março de 2020 às 12:15
Terminal rodoviário em Pacaraima, em Roraima, na fronteira com a Venezuela

Terminal rodoviário em Pacaraima, em Roraima, na fronteira com a Venezuela

Foto: Nacho Doce - 10.ago.2018/ Reuters

Um documento do governo federal obtido com exclusividade pela CNN Brasil e que ajudou o presidente Jair Bolsonaro a tomar sua decisão de restringir a fronteira com a Venezuela mostra que a divisa possui inúmeros problemas muito além do coronavírus e que também serviram para fundamentar sua decisão. O mais relevante deles é a associação de facções criminosas venezuelanas com o Primeiro Comando da Capital, o PCC.

De acordo com o relatório, a maior facção da Venezuela tem núcleo em solo brasileiro agindo no estado de Roraima, que fica na divisa com o país vizinho. Sua principal atividade é o tráfico é de cocaína em parceria com o PCC.

A suspeita é de que a droga entra no Brasil por avião, automóveis, ou por esconderijos dentro dos veículos, e a pé, uma vez que a fronteira é “extremamente permeável e muitos atravessadores de drogas utilizam as trilhas, também conhecidas como 'trocha', ou 'cabriteiro', que são utilizadas para burlar a fronteira”. O documento mostra ainda que de cada 500 venezuelanos que cruzam a fronteira, apenas 100 regressam ao país.  

O documento foi elaborado antes de o coronavírus avançar sobre o Brasil, mas ele cita uma preocupação ao vírus ao tratar da Guiana. Isso porque a cidade de Lethern, que faz divisa com a roraimense Bonfim, “possui diversos imigrantes chineses, que são donos e trabalham em lojas de produtos importados”.

Também relata que os chineses da Guiana fazem muito contrabando de alho, que seria produzido na China, transportado para a Guiana e contrabandeado para o Brasil. Ele entraria em cargas de aproximadamente 1 tonelada. Os alhos são transportados em sacos de 10 quilos, normalmente três vezes por semana e gera um lucro de aproximadamente 3 mil reais por viagem. O relatório revela que essa fronteira não possui nenhuma fiscalização sanitária e “um sistema complexo de contrabando normalmente gerenciado por chineses”. 

Tanto que ainda neste mês o ministério fará uma operação na região tendo por base tanto Pacaraima, município brasileiro que faz fronteira com a Venezuela, quanto em Bonfim, que faz divisa com a Guiana.  
No geral, o relatório aponta a ocorrência de dez problemas na região: facções criminosas, tráfico de cocaína, tráfico de maconha, contrabando, contrabando de alho, sobrecarga de crise imigratória, garimpos ilegais, extração de madeiras ilegais, transporte ilegal de combustíveis, roubo e furtos de veículos para troca por drogas na Guiana. 

O documento foi elaborado pela Secretaria de Operações Integradas do ministério no âmbito do Programa Nacional de Segurança nas Fronteiras, o chamado Vigia, a partir de visitas da equipe da pasta nos dias 2, 3 e 4 de fevereiro deste ano.