O Grande Debate: Gabriela Prioli e Tomé Abduch avaliam medidas contra COVID-19

Prioli e Abduch – que substitui Caio Coppolla em licença médica – falam sobre medidas anunciadas pelo governo federal para conter vírus

Da CNN Brasil, em São Paulo
19 de março de 2020 às 11:06 | Atualizado 19 de março de 2020 às 11:35

Diante do avanço do novo coronavírus no Brasil, o governo federal decidiu se reunir, na tarde dessa quarta-feira (19), para anunciar novas medidas contra pandemia. Na coletiva, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), acompanhado de ministros, fez um pronunciamento conjunto sobre medidas adotadas pelo governo contra a expansão da doença. O governo também listou ações econômicas, como uma MP que permite a redução da jornada e do salário em 50% e a oferta de um 'voucher' de R$ 200, para proteger os trabalhadores informais, por três meses. 


No Grande Debate desta quinta-feira (19), Gabriela Prioli e Tomè Abduch – que substitui Caio Coppolla em afastamento por recomendação médica – debatem sobre as medidas anunciadas pela cúpula do Executivo, na tarde de quarta-feira (18). Eles também repercutem as manifestações, ocorridas pelo país, contra e, em menor número, favoráveis ao presidente Bolsonaro na noite de ontem.

Reinaldo Gottino questionou se as autoridades deveriam ter esperado mesmo para saber o tamanho do problema e não causar pânico na população ou se entraram tarde e sem dar relevância a um tema importante.   

Prioli acredita que o governo demorou para tomar a iniciativa. " Embora a gente tenha a declaração de pandemia no dia 11 de março, apenas no dia 18 de março o governo faz uma coletiva com autoridades para explicar medidas mais efetivas relacionadas ao coronavírus. Isso é, particularmente, relevante pois as evidências têm mostrado que quanto mais rápida é a reação dos governos, mais tênue é a curva do coronavírus e, consequentemente, provoca um impacto menos sigficativo para a saúde e economia", afirmou.

Já para Abduch, o governo foi eficiente em sua reação no combate ao vírus. Ele também concorda com a conduta do presidente.  "Eu já tenho argumentos um pouco diversos de que sim, o governo está tomando uma posição rápida e efetiva. Me impressionou muito a questão do antigo presidencialismo de qualizão, onde nós tínhamos ali políticos ocupando cargos de ministérios e hoje a gente percebe a seriedade que nós temos dos nossos ministros. Ontem foi uma tarde de muita responsabilidade para o governo, onde eles colocaram todas as medidas econômicas, financeiras e de saúde que serão tomadas para combater o coronavírus. Eu acredito que o presidente Jair Bolsonaro está muito preocupado com a situação. (...) Eu acredito sim que o governo está tomando um papel importante, já estamos vendo as ruas vazias, os hospitais no Brasil inteiro, o SUS hoje está em todo país, nós sabemos que temos condição sim de combater com muita seridade, e eu vejo o governo com uma conduta séria para isso."

Prioli, rebateu sobre a eficácia do governo diante do impacto e avanço da doença no país. "A pergunta não foi se o governo agiu agora e sim se ele demorou para agir e, sim, ele demorou. Não tem nada a ver com o presidencialismo de qualizão, tem a ver com fato de que o presidente da República insistia em minimizar o impacto do coronavírus. Aliás, insiste ainda nas falas da coletiva de ontem, existem vários momentos em que o presidente diz que a gente tem que se preocupar, mas que também não precisa ter histeria, por que já passamos por situações piores. Então ele insiste nessa história de tentar minimizar. Depois a questão da nomeação de ministros técnicos é muito importante, mas vou reiteirar o argumento que tenho levantado aqui. Só faz sentido a gente defender os ministros serem técnicos, se a gente obedecer as recomendações técnicas dos ministros", concluiu.

Abduch discordou do posicionamento e defendeu novamente o presidente da República. "Eu discordo mais uma vez, eu acho que governar com responsabilidade é o que tem sido feito no Brasil hoje. Tivemos governos no passado que assaltaram o nosso país (...) Deixo claro aqui que temos que defender muito as nossas instituições, mas as pessoas que estavam lá sim fizeram mal para o nosso país. Eu tenho certeza de que a forma de governar está trazendo o país de volta para as mãos de pessoas de bem. Neste momento nossas discussões deveriam estar focadas em como nós defendemos o nosso país do coronavírus e não a polarização de direita e esquerda. Eu acredito que nosso país tem condições sim de sair dessa doença triste e as medidas estão sendo tomadas. Nós estamos no caminho certo e nós vamos vencer", concluiu.