Metade dos condomínios em São Paulo já adotam 'confinamento' de moradores


Talis Mauricio Da CNN Brasil, em São Paulo
19 de março de 2020 às 22:34

O crescente aumento de casos do novo coronavírus no Brasil, sendo São Paulo o estado com o maior registro de infectados, fez condomínios na capital paulista e na região metropolitana adotarem uma espécie de confinamento de seus moradores.

Desde o início da semana, áreas comuns destes prédios, como academias, salões de festas, piscinas, churrasqueiras e quadras poliesportivas estão fechadas. Com isso, moradores são obrigados a ficar trancafiados dentro dos apartamentos.

A advogada Thais Rink está desde segunda-feira (16) trabalhando de casa. O filho, de apenas 4 anos, parou de ir à escola. Ela conta que está enlouquecendo ao ter que administrar trabalho e maternidade. 

“Às vezes eu faço home office, mas não com ele em casa. Ele vai para a escola, estuda período integral. E aí trabalho tranquilamente. Mas com ele em casa é realmente mais complicado. Ele não entende, fica pedindo para eu desligar o computador, quer atenção. Tenho que conversar, negociar bastante com ele. Não está sendo nada fácil”, disse.

Segundo a AABIC (Associação das Administradoras de Bens Imóveis e Condomínios de SP), 90% dos 16 mil condomínios ligados à entidade já adotaram medidas de restrição para moradores em áreas comuns. Em todo o estado de São Paulo existem cerca de 31 mil condomínios. Ou seja, pelo menos metade dos residenciais adotaram modelos de confinamento de moradores. 

"É preciso ter bom senso. Idosos e crianças não podem ter contato com pessoas doentes, que devem evitar circular pelas áreas comuns e corredores do condomínio", explica José Roberto Graiche Júnior, presidente da entidade. 

A reportagem da CNN esteve em um condomínio de Osasco, na Grande São Paulo, nesta quinta-feira (19). O local, que conta com mais de 7 mil moradores, maior do que muitos municípios paulistas, estava deserto.

Os acessos à piscina, academia, playground, entre outros, estavam todos fechados. As obras em apartamentos serão proibidas a partir da próxima semana. O síndico, Moisés Santos, disse que existem três casos suspeitos de moradores infectados pelo novo coronavírus no local. 

“Isso gera uma preocupação. Temos quase mil moradores acima de 60 anos aqui, que é a faixa de risco para a doença. A minha preocupação maior é com eles”, disse. 

Além de restringir acessos, a AABIC recomenda que os síndicos dos condomínios orientem os funcionários a intensificar a limpeza nas áreas comuns e com mais fluxo de pessoas, redobrando os cuidados com corrimãos, maçanetas de portas e botão dos elevadores.