Silas Malafaia volta atrás e suspende cultos meio a pandemia do coronavírus


André Rosa e Pedro Duran Da CNN Brasil, em São Paulo
20 de março de 2020 às 18:49
O pastor Silas Malafaia em vídeo publicado em seu canal no YouTube

O pastor Silas Malafaia em vídeo publicado em seu canal no YouTube

Foto: Reprodução - 20.mar.2020/YouTube

Depois de apelo das autoridades governamentais de São Paulo e do Rio de Janeiro, o pastor Silas Malafaia, da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, decidiu voltar atrás nesta sexta-feira (20) e suspender os cultos marcados para este final de semana e os próximos dias em meio à pandemia do novo coronavírus. As celebrações se concentrariam principalmente no Rio de Janeiro. 

Em vídeo divulgado horas atrás em suas redes sociais, Malafaia diz: "O Ministério Público tentou impedir meu culto aqui e o juiz não deu, mas agora, o governador [do Rio] e o prefeito [do Rio de Janeiro] estão reduzindo drasticamente circulação de transportes. Então, isso também está acontecendo em várias cidades do Brasil, eu vou suspender meus cultos".

O líder evangélico se refere ao pedido do MP-RJ (Ministério Público do Rio de Janeiro) para que os cultos fossem suspensos judicialmente, negado pela Justiça do Rio de Janeiro. O governador do estado, Wilson Witzel (PSC), e o prefeito da capital, Marcelo Crivella (Republicanos) — que também é pastor evangélico —, fizeram apelos para o fechamento de igrejas.

Ele prometeu, no entanto, ampliar horário de funcionamento das igrejas presencialmente e transmitir cultos pelo site.

Em São Paulo, Malafaia foi citado nominalmente num pedido de liminar encaminhado pelo Ministério Público Estadual para a Justiça, que buscava o cancelamento imediato de atividades religiosas por receio da transmissão do coronavírus em aglomerações.

Assinado pelos promotores Dora Martin Strilicherk, Anna Trotta Yaryd e Arthur Pinto Filho, o documento pede que a Justiça obrigue o governo estadual e a prefeitura da capital paulista a "determinar medidas administrativas urgentes para garantir a suspensão imediata dos cultos/serviços religiosos em geral, bem tomar as providências cabíveis no âmbito administrativo, sanitário e penal para que líderes religiosos, dentre os quais Silas Malafaia e Edir Macedo, não convoquem seus fiéis e seguidores para a celebração de cultos ou outros atos religiosos em suas igrejas/templos situadas na cidade e no Estado de São Paulo, sob pena de multa diária no valor de R$ 10 mil".

O documento obtido pela reportagem da CNN ainda pede que a Fazenda do estado e do município seja dura no fechamento de estabelecimentos comerciais (como bares, casas noturnas, karaokês e lojas em geral) com "imediata fiscalização e aplicação das sanções administrativas/sanitárias, inclusive com a interdição administrativa dos estabelecimentos, caso necessário, e comunicação dos fatos à autoridade policial". A multa sugerida é a mesma, de R$ 10 mil.