Carla Zambelli e Randolfe Rodrigues debatem sobre posicionamento de Bolsonaro


Da CNN, em São Paulo
25 de março de 2020 às 19:10 | Atualizado 25 de março de 2020 às 19:48

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) tem dito que a economia do país está em risco e as pessoas que não estão no grupo de risco do novo coronavírus devem voltar às ruas e trabalhar. No entanto, suas declarações contrariam as orientações de órgãos de saúde, como a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o próprio Ministério da Saúde. 

A deputada federal Carla Zambelli (PSL-SP) e o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) debateram na CNN se é hora de voltar ao trabalho e retomar a vida. 

Para Zambelli, o que Bolsonaro tem tentado explicar para a população é que é preciso achar um meio termo e que governadores não podem simplesmente fechar rodovias e acessos entre uma estrada e outra.

“O presidente Bolsonaro não falou expressamente que todos devem voltar [a trabalhar]. O que ele fez foi uma análise sobre a possibilidade que vai acontecer com o nosso país se todos decretarmos ‘lockdown’ geral. Bolsonaro está preocupado com a economia, com o surto de desemprego que pode acontecer no nosso país. E o ministro [Luiz Henrique] Mandetta também fala que não é hora de decretarmos ‘lockdown’, de isolamento completo da população, e que isso tem que ser feito em blocos. Ambos estão falando a mesma coisa”, afirmou.  

A deputada disse ainda que nos estados onde o novo coronavírus não chegou é importante que a população continue trabalhando. 

Randolfe, porém, ressaltou que “não tem um estado da federação que o vírus não tenha chegado” e que a pandemia “já é uma realidade em todo o território nacional”. O Brasil já tem casos registrados em todas as unidades federativas.

Para o líder da bancada de oposição no Senado, o pronunciamento feito ontem pelo presidente é irracional e contraditório ao que autoridades de governo estão falando, inclusive o próprio ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, e o vice-presidente, Hamilton Mourão.   

"Existe claramente uma orientação sensata no âmbito do governo, parte do vice-presidente, do ministério da Saúde, e tem o bom senso do mundo inteiro, que parte da OMS, dos sanitaristas de todo o planeta, dos médicos. Eventos de repercussão global foram cancelados. Não é possível que o mundo todo esteja errado e somente o senhor Jair Bolsonaro com o pronunciamento insano dele esteja certo", disse.