Em carta, Dom Odilo orienta celebração privada na Semana Santa


Iuri Pitta
Por Iuri Pitta, CNN  
26 de março de 2020 às 18:50
Dom Odilo Scherer, arcebispo metropolitano de São Paulo, no CNN Novo Dia

Dom Odilo Scherer, arcebispo metropolitano de São Paulo

Foto: CNN

O arcebispo de São Paulo, cardeal Dom Odilo Scherer, divulgou nesta quinta-feira (26) uma carta de orientação a bispos auxiliares, padres e diáconos para que as celebrações da Semana Santa sejam realizadas em privado, com transmissão por mídias e redes sociais das paróquias. É uma medida inédita, consequência da pandemia do novo coronavírus e das medidas de restrição e distanciamento social.

"As celebrações e outros atos religiosos e pastorais devem ser realizados privadamente pelos ministros religiosos em beneficio de suas comunidades e de todo o povo, podendo ser transmitidos pelas mídias sociais e pelos diversos meios de comunicação. Os católicos acolham as orientações das Autoridades sanitárias e colaborem generosamente com a preservação da saúde da população e o cuidado dos enfermos", escreve Dom Odilo.

O cardeal reafirma que a arquidiocese está em quarentena e "isolamento social" e que as celebrações com os fiéis "permanecerão suspensas na arquidiocese de São Paulo, até nova ordem ou orientação ".

A carta de Dom Odilo Scherer é divulgada no mesmo dia em que um decreto Federal incluiu atividades religiosas como serviços essenciais.

Responsabilidade 

Na quarta-feira, um dia após o pronunciamento do presidente Jair Bolsonaro em defesa da retomada das atividades econômicas e sociais, o presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e arcebispo de Belo Horizonte, Dom Walmor Oliveira de Azevedo, criticou a atitude.

"Nós repudiamos, criticamos veementemente, autoridades do Executivo nacional quando minimizam aquilo que é preciso ser realizado com responsabilidade por todos nós”, afirmou, em celebração transmitida por mídias sociais. "A pandemia da COVID-19 não pode se compor ainda mais com pandemias de irresponsabilidade, de inconsequências e de falta de sentido humanístico e respeitoso para com a dignidade da pessoa humana."