Ministério da Saúde corrige em R$ 400 bi projeção para enfrentar coronavírus


Da CNN, em São Paulo
26 de março de 2020 às 11:55
O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta

Documento do Ministério da Saúde, de Luiz Henrique Mandetta, trocou R$ 10 bilhões por R$ 410 bilhões em estimativa de gastos com o coronavírus; pasta disse tratar-se de erro de digitação

Foto: Fábio Pozzebom-11/03/Agência Brasil

O Ministério da Saúde corrigiu nesta quinta-feira (26) a projeção de gastos do governo necessários para enfrentar a pandemia do novo coronavírus. O valor foi reduzido de R$ 410 bilhões para R$ 10 bilhões.

Em nota, a pasta informou que a cifra anterior, que consta em documento preliminar enviado ao Ministério da Economia para negociação de empréstimo com o Banco Mundial, foi digita incorretamente e “passou despercebida na revisão do documento”.

O ministério informou ainda que o erro foi decorrente de um erro de digitação. “O algarismo ‘4’ foi escrito por engano – deveria ser um cifrão, que fica na mesma tecla do ‘4’.”

Em razão do erro, a pasta solicitou ao Ministério da Economia a devolução do estudo para poder corrigir as projeções.

Entenda o erro

De acordo com o documento do Ministério da Saúde, finalizado na tarde de terça-feira (24) e ao qual CNN teve acesso, os custos adicionais do COVID-19, a doença causada pelo novo coronavírus, para o Sistema Único de Saúde (SUS) poderiam ultrapassar R$ 410 bilhões.

"Apenas os custos com internações em unidades de terapia intensiva (UTI), para o cenário de uma taxa de infecção populacional de 10%, seria de R$ 9,31 bilhões. A estimativa de gastos no cenário de 10% é semelhante ao montante anunciado pelo governo federal para o combate à pandemia, de 9,5 bilhões de reais", destaca o texto, que não explicava a origem do valor total dos custos adicionais, maior que todo o orçamento do Ministério da Saúde para 2019 (R$ 147,43 bilhões, segundo o Portal da Transparência).

O relatório embasava uma carta-consulta, documento usado para pedir empréstimos. O governo federal solicitou US$ 100 milhões ao Banco Mundial para o enfrentamento da pandemia, que seriam disponibilizados até abril de 2020. Procurado, o Banco Mundial confirmou a solicitação, mas disse que mais detalhes deveriam ser esclarecidos pelos ministérios.