O Grande Debate: Gabriela Prioli e Tomé Abduch discutem isolamento vertical


Da CNN em São Paulo
26 de março de 2020 às 10:48 | Atualizado 27 de março de 2020 às 05:58
 

Durante pronunciamento feito na terça-feira (24), o presidente Jair Bolsonaro afirmou que a orientação do governo federal será de que a população adote, a partir de agora, o "isolamento vertical", deixando, fora das atividades nas comunidades, apenas idosos, pessoas com comorbidades preexistentes e indivíduos infectados ou com sintomas causados pelo novo coronavírus. A medida anunciada pelo chefe do executivo foi criticada por especialistas.

Em entrevista à CNN na última quarta-feira (26), o médico infectologista Jamal Suleiman, do Instituto de Infectologia Emílio Ribas, afirmou que não existe uma definição epidemiológica para o que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) classificou como 'isolamento vertical' e que sugeriu ao povo brasileiro.

No Grande Debate desta quinta-feira (26), Gabriela Prioli e Tomé Abduch – que substitui Caio Coppolla, em afastamento por recomendação médica – discutem a forma de isolamento proposta pelo presidente e a repercussão da fala entre autoridades e nas redes sociais. 

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Em suas considerações finais, Tomé defendeu que se avalie o isolamento vertical a curto prazo e enfatizou a situação das empresas neste período de crise. "As minhas considerações vão na linha do que eu defendi até aqui. Nós precisamos de união de todas as esferas do governo, de uma fala única de todos os governadores, pedimos que as falas sejam técnicas dos ministros e dos secretários porque eles são os entendedores do assunto e a população precisa se sentir segura para que a possa seguir algum caminho. O isolamento total nesse momento ele é de extrema importância, porém temos que ter a consciência de que se nós não caminharmos para o isolamento vertical nas próximas semanas, no próximo mês, nós vamos quebrar o nosso país".

E concluiu: "O rombo disso vai causar mortes, pobreza, caos em toda nossa sociedade, podemos, inclusive, ter episódios de violência e Exército nas ruas para poder defender as nossas famílias. Então as coisas andam todas juntas e devem ter a relativa responsabilidade dos nossos governantes".

Por sua vez, Gabriela reforçou a importância dos pareceres técnicos e o respeito, por parte da população e de líderes políticos, ao isolamento total. "Concordo que temos que prestigiar a ciência, os pesquisadores, temos que ter uma fala única, precisa de planos de ação que dão conta de abranger a saúde da população mais vulnerável e as empresas que são colocadas agora um desafio para se manter e manter os empregos. Pensando nisso e na nossa expectativa em relação aos nossos governantes, a gente precisa conseguir criticar as autoridades públicas que têm se comportado de uma maneira a não contribuir com todas essas nossas expectativas. Então temos que rechaçar líderes políticos que adotem um tom de conflito, líderes políticos que desenvolvam falas que contrariam seu corpo técnico, os líderes políticos que façam uma comunicação que deixa a população em dúvida e insegura. E temos que rechaçar os líderes políticos que não sentam para trabalhar, no sentido de fazer propostas coesas e abrangentes para gente conseguir enfrentar esta situação".

E finalizou: "De novo, reitero aqui a importância da crítica, a gente critica para que a gente possa assistir uma melhor gestão pública".