O Grande Debate: Prioli e Abduch discutem a prisão domiciliar de Eduardo Cunha


Da CNN em São Paulo
27 de março de 2020 às 11:50 | Atualizado 27 de março de 2020 às 12:14
 

Após mais de três anos preso, o ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha (MDB) poderá ir para casa nesta semana. A juíza substituta da Operação Lava Jato em Curitiba, Gabriela Hardt, permitiu que o emedebista cumpra prisão em regime domiciliar devido ao estado de saúde e ao risco de disseminação do novo coronavírus. 

De acordo com o analista de política da CNN Caio Junqueira, Cunha estava desde semana passada internado em um hospital particular porque teve de passar por uma cirurgia de urgência. A juíza afirmou, na decisão, que o médico que realizou a cirurgia no político foi diagnosticado com COVID-19. 

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No Grande Debate desta sexta-feira (27), Gabriela Prioli e Tomé Abduch — que substitui Caio Coppolla, afastado por recomendação médica — discutem o regime domiciliar concedido ao ex-deputado, preso no âmbito da Operação Lava Jato. 

Tomé Abduch iniciou sua argumentação elogiando a decisão da juíza Gabriela Hardt, mas criticando a lei. Ao listar os crimes cometidos pelo ex-deputado, o empresário questionou a credibilidade da Justiça. " O Brasil é acometido, há anos, de uma inversão de valores sobre o que é legal e o que moral. O assunto de hoje é para discutir com um pouco mais de profundidade isso. E a pergunta que fica é: o crime realmente compensa no Brasil? Vocês acham que nossas leis são duras o suficente com quem comete crimes?(...) Todos os políticos estão embasados em suas interpretações de nossas leis. Não é possível que soltem tantos criminosos que assaltaram nossa nação. Criminosos esses que são covardes pois utilizam dos seus cargos para cometerem crimes, tirando recursos do nosso povo. Muitos desses criminosos utilizam de laudos de saúde para conseguir sair da prisão domiciliar, entre eles o próprio Cunha, Paulo Maluf, Garotinho e tantos outros." E continuou: " Eduardo Cunha estaria mais bem protegido na cadeia? Onde já goza de cela individual e comida especial?".

Por sua vez, Gabriela Priolli concordou com a medida tomada por Hardt, avaliou como "muito bem fundamentada" e reiteirou que Cunha permanecerá em prisão domiciliar apenas durante o surto do novo coronavírus e depois retornará ao presídio. "Apenas uns pontos da fala do Tomé que gostaria de analisar. Nós não estamos falando aqui de progressão de pena, o pedido foi apenas para substituição da prisão de pena temporária apenas para este momento de pandemia", avaliou. 

Abduch, entretanto, assumiu que não tem conhecimentos técnicos, mas cobrou leis mais sérias e severas. "Eu não gostaria de ver Eduardo Cunha em casa, acredito sim que ele deveria estar na prisão e no meu ponto de vista ele estaria muito mais seguro na cadeia do que fora dela. Até quando nós vamos aturar esses homens que saquearam a nossa nação?", argumentou.

Prioli rebateu às afirmações do empresário e, novamente, explicou a decisão da juíza: " É uma questão temporária, não tem nada a ver com o questão de estar mais ou menos tempo preso. (...) Eu fico em uma situação delicada porque a gente não fala do tema. O Tomé fala que ele não é téncnico, mas utiliza a falta de técnica dele para criticar a decisão da juíza que cuida do caso. Ele está aqui dizendo que Cunha ficaria mais seguro se ficasse no presídio. E, claro, ele descredibiliza a decisão da juíza Gabriela. Mas ele não conhece o caso e não sabe o que está acontecendo". 

Abduch respondeu dizendo que houve uma inversão das 'coisas' durante o debate e elogiou novamente a juíza. "Eu não estou aqui discutindo tecnicamente a decisão tomada por ela e sim a inversão de valores das leis do nosso país. Vocês se sentem seguros com as leis? Eu não me sinto".

Ao falar sobre sensação de segurança, Abduch usou crimes de outra natureza como exemplo, como o tráfico de drogas. "(...) quando o traficante porta uma quantidade pequena de drogas e é detido nas favelas ele chega na delegacia, 'bate um papo' algumas horas e volta para casa. Depois de três horas ele pego de novo cometendo o mesmo crime"

E criticou: "Você fica muito rasa nas suas argumentações técnicas e eu estou aqui discutindo o nosso país e o crime do colarinho branco é o pior crime que pode ser cometido no país."

Prioli rebateu : "Acho curiosa a sua alegação de que a minha discussão é rasa quando a gente está aqui discutindo uma decisão judicial e você acabou de admitir a sua incapacidade de discutir em termos técnicos. (...) Já que o Tomé trouxe para discussão, a sua fala mostra que você não tem nenhum conhecimento de como os crimes de droga são processados no Brasil."

E concluiu: "Quando você diz que uma pessoa é pega na favela, de novo, você reitera uma visão um pouco preconceituosa que você já demonstrou outras vezes. Existe tráfico de drogas também fora da favela. Sinto muito que você tenha usado esse exemplo das favelas e comunidades carentes. (...) De novo, nosso tema não é esse. A gente pode discutir, mas eu fico em uma situação delicada, pois eu estou discutindo uma questão seríssima do Brasil – que deve ser alicerçada em dados, discutida com profundidade – com uma pessoa que não tem nenhum conhecimento da realidade que descreve", finalizou a advogada mestre em direito penal.