Com sistema funerário no limite, prefeitura de SP cogita até cemitério vertical

Com liberação de corpos demora até seis vezes o tempo normal, prefeitura já contratou 20 novos carros funerários, 40 e 220 coveiros

Pedro Duran e Luana Massuella Da CNN, em São Paulo
27 de março de 2020 às 21:47 | Atualizado 28 de março de 2020 às 19:23
Agência do Serviço de Verificação de Óbito, em São Paulo
Foto: Pedro Duran/CNN (27.mar.2020)

Os últimos dias têm sido de sobrecarga de trabalho para as equipes do Serviço Funerário da cidade de São Paulo. A mudança de protocolos para a liberação dos corpos por conta do novo coronavírus tem afetado significativamente o trabalho das equipes.

Um dos problemas é que as autópsias só podem ser feitas em casos de morte suspeita depois que o diagnóstico de COVID-19 for descartado. Caso o resultado do exame demore, é preciso aguardar pelo menos 72 horas para manipular o corpo —seis vezes o tempo regular entre a morte e a liberação do corpo, que antes levava de dez a 12 horas.

Os testes feitos pelo Instituto Adolfo Lutz a pedido do SVO (Serviço de Verificação de Óbitos) tem levado de 24 a 36 horas.

Em muitos casos, os médicos têm declarado na certidão de óbito síndrome de angústia respiratória grave até que se tenha a confirmação. Nos hospitais, uma declaração de causa de morte, protocolo novo da Secretaria Estadual da Saúde, tem dispensado o encaminhamento dos corpos ao SVO.  

Luiz Fernando da Silva, diretor do órgão e médico patologista da Sociedade Brasileira de Patologia, explica que em muitos casos, a família só tem a confirmação de que o parente estava com o novo coronavírus depois que ele já foi enterrado. 

“Não é tarde demais do ponto de vista das ações de controle. Óbvio que isso acaba atrasando um pouquinho as notificações. A família sempre fica um pouco angustiada de não poder saber esse resultado na hora, mas hoje a gente não tem em larga escala o teste que permite esse diagnóstico rápido”, diz ele.

O novo cenário fez com que o diretor do Serviço Funerário da capital paulista, Thiago Dias, tirar da gaveta um projeto de construção de um cemitério vertical exclusivo para vítimas da COVID-19.

O local seria parte do complexo funerário da Vila Alpina, na zona leste da capital, que abriga o cemitério e o crematório Dr. Jayme Augusto Lopes. Thiago avalia que, se o projeto tiver o aval da cúpula da gestão municipal, seria possível construir o cemitério vertical em uma semana. 

Eles também decidiram diminuir pela metade os intervalos entre sepultamentos, pra não atrasar as cerimônias familiares. Já estão sendo incorporados à frota do sistema funerário mais vinte carros e 40 motoristas foram contratados. Outros 220 coveiros estão sendo convocados emergencialmente pra atuar nos cemitérios municipais.