Alunos terão aula à distância no Rio, sindicato de professores reprova a medida

Medida durará enquanto permanecer a quarentena no estado do Rio de Janeiro

Jairo Nascimento Da CNN, no Rio
30 de março de 2020 às 18:48
Escola em Brasília tem aulas suspensas por prevenção ao coronavírus (12.mar.2020)
Foto: Adriano Machado/Reuters

A Secretaria Estadual de Educação (Seeduc) anunciou nesta segunda-feira (30) o início de implementação do sistema de aulas à distância que funcionará enquanto permanecer a quarentena no estado do Rio de Janeiro decretada pelo governador Wilson Wtizel (PSC).

O acesso será gratuito, por meio de celular ou tablete e não consumirá dados de internet dos alunos. A primeira semana será para cadastramento e conhecimento da plataforma de ensino. A secretaria afirma que “Este período de formação e ambientação não vai afetar os 200 dias letivos, uma vez que o calendário da Seeduc contava com 220 dias letivos previstos e esses 15 dias de paralisação para minimizar os impactos do coronavírus corresponderam ao recesso escolar de julho, que foi antecipado como medida de prevenção”. À CNN, a secretaria havia dito que os alunos sem acesso à aparelho ou internet poderiam usar a estrutura da escola ou receberiam material didático em casa.


Em nota, o Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação do Rio de Janeiro, por meio do Sepe Mesquita, reprovou dizendo que a medida pode levar a “fechamento de escolas, turmas e turnos” e que “a Educação à Distancia é a precarização do trabalho de educadores e educadoras, é a substituição da relação educador-estudante-comunidade, por um produto padronizado de educação numa lógica bancária”.

Para o sindicato, o projeto exige “certa estrutura tecnológica para acessar a plataforma e apresenta como alternativa a quem não os possui esses recursos a exposição, indo a escola para ter acesso, o que é contraditório com o estado de quarentena”.

A Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro votará nesta terça (31) um projeto de lei de autoria dos deputados André Ceciliano (PT), Sérgio Fernandes (PDT), Renan Ferreirinha (PSB) e Carlo Caiado (DEM) para regulamentar as aulas EAD. O projeto prevê que as normas sejam implementadas pela Seeduc e sejam aprovadas pelo Conselho Estadual da Educação.